Os Três Senhores do Materialismo e o ego


Os Três Senhores do Materialismo presentes no budismo tibetano descrevem o funcionamento do ego.

Forma, fala e mente são os meios para estreitar tudo nos muros do ego.

Os Três Senhores do Materialismo e o ego

Os Três Senhores do Materialismo


No budismo tibetano há uma interessante metáfora que descreve o funcionamento do ego que é a dos “Três Senhores do Materialismo”.

Este artigo é baseado no livro de Chögyam Trungpa, intitulado: Além do materialismo espiritual.

 Os Três Senhores do Materialismo são:

  • O Senhor da Forma
  • O Senhor da Fala
  • O Senhor da Mente

O Senhor da Forma

É aquele que se refere à busca incessante e neurótica do conforto físico, da segurança e do prazer.


O Senhor da Fala

É aquele que promove a utilização do intelecto nas relações do homem com o mundo à sua volta.

O Senhor da Fala indica a propensão do ego a neutralizar ameaças que possam, na visão do ego, colocar em risco a sua ideia de “eu” e a solidificação das coisas é um meio para isso.

Ou seja, o Senhor da Fala tende a “coisificar” tudo com o que tem contato.


O Senhor da Mente

É aquele que através do esforço da consciência procura preservar a percepção de si mesmo e acaba por imperar quando o homem utiliza as disciplinas espirituais e psicológicas.

E, sendo assim, o ego converte tudo de acordo com a sua conveniência, inclusive a própria espiritualidade.


Chögyam Trungpa fala que Buda examinou como se dá a atuação dos “Três Senhores” e descobriu que estes criam no homem a ideia de que o ser humano é um ser concreto.

O autor também diz que a maneira de eliminar esta auto ilusão é a meditação e esta deve ser entendida não como um estado mental semelhante a um transe, mas sim, como a tentativa de acompanhar a energia e a velocidade desta.

A meditação num enfoque budista clássico é a busca de um estado desprovido de ego para que aconteça a realização da natureza búdica.

Os Três Senhores do Materialismo e o ego

Além do ego


O conhecimento do processo de funcionamento da condição humana pode ser definido como o “autoconhecimento”, termo tão comum e necessário à psicologia.

A meditação sugerida por Chögyam Trungpa propicia o autoconhecimento que vem a ser o exame por parte do homem de seus próprios pensamentos, emoções, conceitos e demais atividades da mente.

O ser humano ao atuar na vida sob o jugo dos “Três Senhores do Materialismo” caí num funcionamento que encontra afinidade com o que é concreto.

Isto acontece porque tal concretude cabe nas delimitações impostas pelo ego e cabíveis no rigor científico.

Em relação aos aspectos constituintes da natureza humana:

  • O “Senhor da Forma” encontra espaço no aspecto biológico do ser humano
  • O “Senhor da Fala” no aspecto social
  • O “Senhor da Mente” no aspecto psíquico

Porém, de acordo com as ideias do budismo clássico, há no homem a “natureza búdica” que promove o encontro com a sua “essência” e com seu “eu real” e não apenas com o seu “eu consciente”.

Aqui pode se associar a “natureza búdica” com o aspecto espiritual do ser humano e o pleno autoconhecimento só acontecerá mediante o contato com o ser humano integral.

Os Três Senhores do Materialismo indicam a natureza biopsicossocial do ser humano, mas o aspecto espiritual também faz parte de sua totalidade.

Os Três Senhores do Materialismo são os três senhores do ego e procuram fazer com que toda experiência humana, bem como a sua natureza, caibam nos seus estreitos limites.

Por isso, Jung tão sabiamente não coloca o ego como o centro da psique.

A transcendência ao ego é o caminho real do autoconhecimento, pois a busca de si mesmo não significa uma busca do ego.

Sendo assim, transcender é preciso.

Os Três Senhores do Materialismo e o ego

Paulo Rogério da Motta


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