A transferência na clínica junguiana


A transferência na clínica junguiana é uma manifestação arquetípica e o psicoterapeuta deve aceita-la e fazer uso desta em benefício de seu cliente.

A transferência na clínica junguiana

A transferência na clínica junguiana


Uma correção de caminho precisa ser feita para os psicólogos que construíram a sua concepção de transferência em escolas mais redutivistas e a enxergam como uma neurose de transferência e relacionadas a conteúdos de características infantis da psique de um indivíduo.

As escolas redutivistas, provavelmente, se basearam na ideia da transferência como expressão de características infantis da psique de um indivíduo pela forma que, geralmente, é ativada a transferência.

Ou seja, o surgimento da libido reprimida ou latente direcionada do cliente ao seu terapeuta que é o agente ativador e resultando, muitas vezes, numa relação de dependência e neurótica.

Esta, porém, é apenas a superfície do processo de transferência em casos assim, mas, mesmo nestes casos, a raiz do processo é arquetípica.

Na transferência o que é projetado é uma imagem arquetípica e vale destacar que o núcleo de todo complexo é um ou mais arquétipos.

Desta forma, para a Psicologia Analítica a transferência é uma manifestação arquetípica e a experiência de um arquétipo não pode ser definida simplesmente como uma neurose ou uma característica da imaturidade psíquica de alguém.

Jung foi contraditório em relação ao papel da transferência, mas, por fim, reconheceu suas potencialidades positivas, por isso, a sua psicologia considera benéfica e essencial a sua presença nos processos psicoterapêuticos.

Afinal, não há pessoa melhor preparada para receber a transferência do que o psicoterapeuta e nem lugar mais seguro que o setting terapêutico para que isso aconteça.

A transferência na clínica junguiana

Acrescente-se também que a transferência é um importante sinalizador de como está o andamento da psicoterapia.

O que podemos também considerar é que a transferência é a possibilidade de resgate de um fragmento psíquico que é percebido fora na projeção e tal resgate acontece quando este fragmento vivenciado fora é internalizado pela psique.

Na maioria dos casos uma imagem arquetípica somente pode ser ativada se ocorrer a encarnação deste arquétipo em uma experiência pessoal e na relação clínica é inevitável que encarnações arquetípicas se deem no terapeuta.

Na prática da clínica junguiana tal situação deve ser vista como uma oportunidade de trabalho, ou seja, o terapeuta não deve esquivar-se desta transferência, pelo contrário, deve aceita-la e fazer uso em benefício de seu cliente.

Se o terapeuta junguiano negligenciar ou esquivar-se de tal situação o resultado será o travamento ou um curto-circuito no processo terapêutico.

Os conteúdos do inconsciente são quase sempre integrados via projeção.

Muitos de nossos clientes precisam desesperadamente da encarnação de arquétipos e se tal transferência se der no terapeuta há que se considerar a necessidade de seu cliente.

Paulo Rogério da Motta


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