A transcendência da consciência e a espiritualidade


A transcendência da consciência indica que ela é mais do que o eu pessoal e Jung diz que a consciência comum pode não expressar a verdade nos assuntos que dizem respeito à alma.

A transcendência da consciência e a espiritualidade

Viktor E. Frankl, em sua obra: A presença ignorada de Deus, explica que a transcendência da consciência indica que ela é mais do que o eu pessoal e é caracterizada como sendo extra-humana.

Consequentemente, a compreensão do ser humano em sua totalidade só é possível através da transcendência desta que faz com que o homem tenha contato com sua plenitude existencial.

Desta forma, a consciência possibilita a expressão da transcendência e o homem descrente do espiritual ou irreligioso é alguém que apenas negligencia a transcendência e busca o sentido da existência nos limites da consciência.

Por sua vez, o homem que considera a espiritualidade como um aspecto de sua natureza ou o homem religioso procura o sentido da vida considerando e aceitando a transcendência da consciência.

Já Carl Gustav Jung, em sua obra: Resposta a Jó, comenta que a consciência comum pode não expressar a verdade nos assuntos que dizem respeito à alma porque estes ultrapassam o pensamento comum, ou seja, os assuntos da alma transcendem a consciência humana comum.

O homem movido por sua espiritualidade procura um mundo que está além da percepção comum do ego e este mundo é uma realidade psicológica que abriga as concepções humanas de alma e de espírito.

Porém, por estar fora da visão do ego, em especial no Ocidente, é vista como algo sobrenatural ou mágico.

Tereza Cristina Saldanha Erthal, no capítulo: A luz da sabedoria na psicoterapia, da obra: Espiritualidade e Prática Clínica, de Valdemar Augusto Angerami-Camon concilia as afirmações de Frankl e Jung explicando que a evolução da consciência humana iniciou com o instinto e o ser humano através dos seus sentidos configurou a sua consciência irreflexiva ou sensorial.

Com isso o intelecto passou a atuar com aspirações mais altas e configurou a sua consciência pré-reflexiva ou emocional e a sua consciência reflexiva ou mental e a mente humana passou a atuar com o que é objetivo e com o que é subjetivo.

Neste ponto o homem atingiu a autoconsciência, mas há no homem a vontade da transcendência e é com a consciência intuitiva ou espiritual que o homem, enfim, perceberá a sua unidade e totalidade e poderá alcançar o reino da alma.

A transcendência do eu pessoal propiciará ao homem a percepção de que faz parte de um todo.

Tal caminho da evolução da consciência humana encontra afinidade com as funções da personalidade descritas na psicologia analítica como:

  • A sensação que faz com o ser humano perceba as coisas;
  • O sentimento que faz com que ele dê valor as coisas;
  • O pensamento que faz com que ele perceba o significado das coisas; e
  • A intuição que, por fim, traz a unidade entre significante e significado ao permitir o contato do ser humano com a finalidade das coisas, ou seja, permite que o homem perceba o sentido das coisas.

É pela intuição que o homem ampliará a compreensão de si mesmo, pois o contato com o que é externo a ele fará com que ele se volte para o que há dentro dele e resultará numa percepção mais refinada dos processos simbólicos de sua mente e, consequentemente, de uma melhor elaboração.

A intuição aqui falada não é algo sobrenatural, ao contrário, é algo concernente à natureza humana.

O que foi dito sobre a intuição refere-se também à transcendência da consciência. Não de trata da busca do sobrenatural e sim, somente da exploração da psique em sua totalidade.

A transcendência da consciência possibilita a compreensão de que o espiritual faz parte da natureza humana.

Paulo Rogério da Motta


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