Sombra


O que significa Sombra?

Dicionário Junguiano: Nela vive tudo o que o ego não quer, conteúdos reprimidos ou não reconhecidos que podem ser bons ou maus…

Sombra – Dicionário Junguiano

Dicionário Junguiano

Sombra


Na sombra, vive tudo o que o ego não quer ou não pode adaptar aos costumes e convenções sociais e culturais.

Os conteúdos reprimidos ou não reconhecidos podem ser bons ou maus.

Personifica certos aspectos do inconsciente que poderiam ser acrescentados ao complexo do ego, mas que por algum motivo ou por vários motivos não o são.

A sombra constitui um problema de ordem moral que desafia a personalidade do eu como um todo, pois ninguém é capaz de tomar consciência desta realidade sem dispender energias morais. Mas nesta tomada de consciência da sombra trata-se de reconhecer os aspectos obscuros da personalidade, tais como existem na realidade. […]. (Carl Gustav Jung; AION: Estudos sobre o simbolismo do Si-Mesmo – § 14).

Por isso, é o arquétipo responsável pelo aparecimento na consciência de pensamentos, sentimentos e sensações desagradáveis e socialmente repreensíveis.

A integração da sombra na vida do indivíduo envolve dificuldade, pois requer coragem lidar com o que não é agradável em si mesmo, além da resistência do ego em aceitar mudanças.

Jung descobriu que o material reprimido ou não reconhecido se organiza e se estrutura ao redor da sombra.

Todo indivíduo é acompanhado por uma sombra, e quanto menos ela estiver incorporada à sua vida consciente, tanto mais escura e espessa ela se tornará. Uma pessoa que toma consciência de sua inferioridade, sempre tem mais possibilidade de corrigi-la. Essa inferioridade se acha em contínuo contato com outros interesses, de modo que está sempre sujeita a modificações. Mas quando é recalcada e isolada da consciência, nunca será corrigida. E além disso há o perigo de que, num momento de inadvertência, o elemento recalcado irrompa subitamente. De qualquer modo, constitui um obstáculo inconsciente, que faz fracassar os esforços mais bem intencionados. (Carl Gustav Jung; Psicologia e religião – § 131).

Este sombrio arquétipo vem a ser o inimigo oculto da persona, pois a persona exerce a função de ser a vitrine que o indivíduo cria para mostrar à sociedade ao passo que a sombra é o porão escuro da psique que o indivíduo quer esconder desta.

Quanto mais forte for nossa persona, e quanto mais nos identificamos com ela, mais repudiaremos outras partes de nós mesmos.

A sombra é uma parte integrante da nossa natureza e nunca pode ser simplesmente eliminada.

Uma pessoa sem sombra não é um indivíduo completo.

Segundo Edward C. Whitmont, na obra: A busca do símbolo: Conceitos básicos de psicologia analítica:

[…] a existência ou a necessidade de uma sombra é um fato arquetípico humano geral, já que o processo – o choque entre a coletividade e a individualidade – é um padrão humano geral.

Assim, a sombra não é uma peculiaridade da psique de algumas pessoas.

Este arquétipo é necessidade de toda personalidade e originada do contato do mundo interno do indivíduo com o mundo externo em que vive.

Sombra – Dicionário Junguiano

A sombra não pode ser combatida, com ela é necessário que exista o confronto.

Confrontá-la é algo indesejado pelo ego, afinal é um choque ver como se é e não como gostaria de ser.

Mas a finalidade do confronto é para que o ego estabeleça uma relação diplomática com a sombra.

Segundo Daryl Sharp, na obra: Léxico Junguiano: Dicionário de termos e conceitos:

Não existe nenhuma técnica absolutamente efetiva para a assimilação da sombra. É mais uma questão de diplomacia ou habilidade política e é sempre uma questão individual.

Em primeiro lugar, é necessário que se admita e se leve a sério a existência da sombra.

Depois, a pessoa deve tornar-se ciente das suas qualidades e intenções.

Isto se consegue pela atenção consciente aos estados de humor, às fantasias e aos impulsos.

Por fim, é inevitável um longo processo de negociação.

Importante a compreensão de que integrar não significa ser ciente da existência ou se entregar à sombra.

Somente o conhecimento da sua presença na psique fará do indivíduo um mero espectador de seu lado sombrio.

Já a entrega à sombra fará do indivíduo um alguém movido por seu lado sombrio.

Confrontá-la significa percebê-la, entendê-la e integrá-la para que seja um aspecto da personalidade a ser usado de maneira favorável.

E, assim, alcançar um equilíbrio que se traduzirá em harmonia psíquica.

Ressalto que este sombrio arquétipo não é constituído necessariamente de conteúdos negativos, nele encontra-se tudo aquilo que o ego colocou no porão escuro da psique.

Porém, neste porão escuro também pode ter sido colocadas qualidades, talentos e potencialidades que o ego em sua trajetória de vida não pode expressar e realizar.

Paulo Rogério da Motta


Vídeo: O que é Sombra?