Self

O que significa Self?

Dicionário Junguiano: Arquétipo central, da ordem e totalidade da personalidade. Tudo o que é psíquico está contido no Self…

Self – Dicionário Junguiano

Dicionário Junguiano

Self


Jung chamou o Self de arquétipo central, arquétipo da ordem e totalidade da personalidade.

O Self ou Si Mesmo representa o anseio humano de unidade.

O Self não é apenas o ponto central, mas também a circunferência que engloba tanto a consciência como o inconsciente. Ele é o centro dessa totalidade, do mesmo modo que o ego é o centro da consciência. (Carl Gustav Jung; Psicologia e alquimia – § 44).

É o centro da personalidade total e todos os demais sistemas orbitam à sua volta.

É o princípio organizador de toda a psique e tanto é verdade que o ego é um complexo cujo núcleo é o Self.

Edward C. Whitmont, em sua obra: A busca do símbolo: Conceitos básicos de Psicologia Analítica, diz:

Ele pode ser visto como o arquétipo de uma autoridade central, um campo unitário, que governa tanto o mecanismo consciente como o inconsciente, tanto a realidade exterior como a interior; e ele se manifesta em ambos os domínios de modos que parecem governados mais pelas leis da correspondência do que pelas leis da causa e efeito.

O Self também exerce um papel de criador na psique e Maria Helena R. Mandacarú Guerra, na obra: O livro vermelho: o drama de amor de C. G. Jung, diz que esta atividade criadora se configura na capacidade:

[…] em produzir símbolos. Metáforas perfeitas para revelar, apontar o caminho, traduzir aquilo que cada um necessita em seu processo de individuação.

Self – Dicionário Junguiano

A ideia de totalidade do si-mesmo é importante para se analisar qualquer tema da Psicologia Analítica, pois tudo o que é psíquico está contido no Self e ele é o princípio ordenador e criativo.

Representa um sistema de orientação voltado para a realização e experiência consciente sem, contudo, pertencer à consciência.

Este arquétipo pode ser visto como a meta que as pessoas buscam em sua vida, mas que raramente alcançam, pois para que o Self possa emergir é necessários que vários componentes da personalidade tornem-se totalmente desenvolvidos e específicos.

Esse arquétipo expressa-se por meio de diversos símbolos e o principal deles é a mandala.

Algumas de suas várias representações são imagens que apontam:

  • Para a inteireza ou totalidade: círculo, esfera, quadrado
  • Para a transcendência ou infinito: ouroboros, fênix, tesouro, diamante, água da vida, elixir da imortalidade, pedra filosofal
  • Para a centralização, ordem e direção: cruz, roda do sol, relógio, estrela guia, bússola

Jung diz que:

[…] como individualidade, o si-mesmo é único e singular, mas como símbolo arquetípico é uma imagem divina e, consequentemente, também universal e ‘eterno’ […]. (Carl Gustav Jung; AION: Estudos sobre o simbolismo do si-mesmo – § 116).

O que possibilita não só uma relação entre o Deus teológico que também é divino, universal e eterno; com o Self que, como símbolo arquetípico e realidade experimental e psicológica, apresenta as mesmas características.

O desenvolvimento do Self, ou talvez seja melhor dizer que o desenvolvimento em direção e conformidade com o Self, propicia ao ser humano o aumento da consciência, da percepção e compreensão da vida, o que lhe possibilita dar um rumo à sua vida que o conduza à autorrealização.

Paulo Rogério da Motta