Repulsa, amor e paixão na psicoterapia

Repulsa, amor e paixão na psicoterapia configuram um quadro comum ao psicólogo.

O cliente o odeia e/ou o ama.

Por vezes, a paixão vem para o setting.

Repulsa, amor e paixão na psicoterapia

Repulsa, amor e paixão na psicoterapia


Bem me quer!

Mal me quer!

Numa relação entre pessoas e mesmo numa conversa entre elas é comum o jogo de aproximação e distanciamento.

Algumas vezes, este jogo é orientado em razão do temperamento da pessoa ou até da presença de determinadas características como a histérica e a esquizoide.

As pessoas com características histéricas tendem a se aproximar e as esquizoides a se afastarem.

Este jogo de distanciamento deve ser encarado por aquele que quer se conectar ao outro e a busca da distância adequada é fundamental para que a conexão aconteça.

A distância adequada é também um caminho para que as emoções entre as pessoas não se entrelacem e culminem num nó que é a atração amorosa ou a total repulsa pelo outro.

Se as emoções entrelaçadas são prazerosas surge a atração e se são conflitantes surge a repulsa.

Repulsa, amor e paixão na psicoterapia

Agora pense na situação de duas pessoas sentadas frente à frente, sozinhas e com o propósitos de desvelarem segredos e a própria alma.

É um cenário plenamente favorável para a ativação do arquétipo do amor.

Some-se a isso as circunstâncias de um buscar ajuda e o outro estar ali para tentar ajudar.

É importante que pelo menos um dos presentes nesta relação conheça os perigos e cuidados a serem tomados.

Se o encontro despertar o amor enquanto força arquetípica e o estabelecimento de uma relação não for o melhor caminho, é motivo de alegria as barreiras que surgem entre as pessoas.

Afinal, são defesas espontâneas.

Elas não são fabricadas pelo ego.

A timidez, o segredo, a frieza e a distância são defesas do crescimento da psique até que se estabeleça um eixo interior que equilibrará o desenvolvimento da relação exterior.

A paixão, muitas vezes, nasce do sofrimento da psique e a energia psíquica envolvida na dor é suficiente para ativar o arquétipo do amor que se manifesta como paixão.

É desta forma que a paixão se apresenta como uma bomba emocional que somente pode ser aplacada quanto acabou a força de sua explosão.

Esta explosão pode se dar durante um processo psicoterapêutico.

Uma psicoterapia é um campo minado emocional e o processo psicoterapêutico, portanto, é um caminhar em campo minado.

As mortes que acontecem são as transformações do fim do velho para o nascimento do novo.

Feridas serão vistas, remexidas, cicatrizadas e diante de sua imortal presença precisam ser toleradas por um ego estruturado.

Diante de tudo que acontece numa relação psicoterapeuta e cliente; repulsa, amor e paixão na psicoterapia são componentes que fazem parte do ofício do profissional da psicologia.

Cabe a ele cuidar também de si mesmo.

Repulsa, amor e paixão na psicoterapia

Paulo Rogério da Motta