Religião

O que significa Religião?

Dicionário Junguiano: Tema relevante para Jung. Uma atitude do espírito humano, caminho para ligar o humano ao sagrado…

Religião – Dicionário Junguiano

Dicionário Junguiano

Religião


A palavra religião vem do latim religio.

O prefixo re significa “outra vez, de novo” e ligare significa “ligar, unir, vincular”.

Religare, portanto, pode ser definida como o vínculo do mundo profano ao mundo sagrado.

Ou seja, liga o humano ao divino.

Encaro a religião como uma atitude do espírito humano, atitude que de acordo com o emprego originário do termo: “religio”, poderíamos qualificar a modo de uma consideração e observação cuidadosas de certos fatores dinâmicos concebidos como “potências”: espíritos, demônios, deuses, leis, ideias, ideais, ou qualquer outra denominação dada pelo homem a tais fatores; dentro de seu mundo próprio a experiência ter-lhe-ia mostrado suficientemente poderosos, perigosos ou mesmo úteis, para merecerem respeitosa consideração, ou suficientemente grandes, belos e racionais, para serem piedosamente adorados e amados. (Carl Gustav Jung, Psicologia e Religião – § 8).

A religião é concreta, pois possui credo, moral, teologia, ritos, enfim, é algo que pode ser externalizado e vivido exteriormente e era um tema relevante para Jung.

Visto que a religião constitui, sem dúvida alguma, uma das expressões mais antigas e universais da alma humana, subentende-se que todo o tipo de psicologia que se ocupa da estrutura psicológica da personalidade humana deve pelo menos constatar que a religião, além de ser um fenômeno sociológico ou histórico, é também um assunto importante para grande número de indivíduos. (Carl Gustav Jung, Psicologia e Religião – § 1).

Jung ressaltava a sua função “numinosa”, uma presença invisível capaz de modificar a consciência.

Antes de falar da religião, devo explicar o que entendo por este termo. Religião é — como diz o vocábulo latino religere — uma acurada e conscienciosa observação daquilo que Rudolf Otto acertadamente chamou de “numinoso”, isto é, uma existência ou um efeito dinâmico não causados por um ato arbitrário. Pelo contrário, o efeito se apodera e domina o sujeito humano, mais sua vítima do que seu criador. Qualquer que seja a sua causa, o numinoso constitui uma condição do sujeito, e é independente de sua vontade. (Carl Gustav Jung, Psicologia e Religião – § 6).

Jung dizia que as religiões podem até fazer o papel de sistemas psicoterapêuticos:

O que são as religiões? São sistemas psicoterapêuticos. E o que fazemos nós psicoterapeutas? Tentamos curar o sofrimento da mente humana, do espírito humano, da psique, assim como as religiões se ocupam dos mesmos problemas. (Carl Gustav Jung, Fundamentos de Psicologia Analítica – § 370).

Religião – Dicionário Junguiano

Paulo Rogério da Motta