Reforçamento no Behaviorismo


Reforçamento no Behaviorismo vem a ser uma das formas de selecionar comportamentos.

Veja também Reforçamento primário e secundário no Behaviorismo.

Reforçamento no Behaviorismo


Comportamento e Reforçamento Diferencial

De acordo com SKINNER (2003, p.108) “usamos reforço diferencial para moldar e intensificar o comportamento de outros no que pode ser chamado de controle deliberado”.

Esse controle deliberado, ou seja, essa “diferenciação” de comportamento, segundo WHALEY e MALOTT (1980, p.95) “é obtida através do constante reforçamento de um membro de uma classe de respostas, com a exclusão de todos os outros membros da mesma classe”.

Para elucidação do exposto citamos o exemplo de um reforçamento diferencial, onde os pais condicionam seu filho a dizerem “au-au!” apenas na presença de um cão e não de um outro objeto, dado por REESE (1975, p.28): “Seus pais reforçarão diferencialmente a resposta ‘Au-au!’, reservando sua atenção e admiração para as ocasiões em que o cão esteja presente. Quando diz ‘au-au!’ na presença do cão e não na presença de outros objetos, a criança está emitindo uma resposta diferencial, está discriminando”.

O reforçamento diferencial pode ser usado tanto no processo de modelagem como também na diferenciação de respostas, sendo oportuno definir a diferença entre um e outro, segundo WHALEY e MALOTT (2003, p.97) “na diferenciação, a resposta que recebe o reforçamento diferencial já ocorre pelo menos com uma freqüência mínima. Na modelagem, a resposta terminal geralmente não ocorre e pode até mesmo nunca ter existido na história do organismo”.


Esquemas de Reforçamento Intermitente

De acordo com WHALEY e MALOTT (1980, p. 106) “o termo reforçamento contínuo descreve um arranjo no qual a resposta é sempre seguida por um reforçador”, e “o termo reforçamento intermitente é usado para descrever uma situação em que o reforçador segue a resposta de maneira ocasional”.

Assim quando o reforço é constante é chamado de “reforçamento contínuo”, e quando o reforço é ocasional é chamado de “reforçamento intermitente”.

Segundo REESE (1975, p.42) “o meio mais rápido de estabelecer um comportamento é reforçar toda ocorrência de resposta. […] Uma vez condicionado, o comportamento é usualmente reforçado intermitentemente”.

Assim o comportamento pode ser reforçado intermitentemente através de “esquemas”.

Os “esquemas de reforçamento” são definidos por WHALEY e MALOTT (1980, p.106-107) como “o modo exato pelo qual a ocorrência do reforço é programada como consequência de um determinado número de respostas, ou de um certo tempo entre respostas, ou de qualquer outra característica temporal ou quantitativa das respostas”.

No Reforçamento Intermitente o reforço do comportamento é apresentado algumas vezes, após ocorrência do comportamento, ou seja, o reforço é apresentado de maneira ocasional e pode ser reforçado intermitentemente através de “esquemas diferentes”.

Estes “esquemas diferentes” que são determinados elas contingências (número de respostas emitidas e/ou passagem do tempo) de que depende o reforçamento são: intervalo fixo, intervalo variável, razão fixa e razão variável.

Os esquemas de intervalo que são esquemas de reforçamento temporais, ou seja, o fator comum destes esquemas de reforçamento é o “tempo”.

Nos esquemas de intervalo o reforço depende da passagem do tempo, portanto, responder rapidamente não é reforçado diferencialmente,por isso os esquemas de intervalo apresentam baixa freqüência total de respostas.

O esquema de intervalo fixo, segundo REESE (1975, p.46) “caracteriza-se por uma pausa após o reforço e, a seguir, um aumento gradual na freqüência da resposta, até um nível alto no final do intervalo”.

No programa de intervalo fixo, o reforço é empregado depois de um intervalo de tempo estabelecido sem levar em consideração o ritmo da resposta do organismo.

O esquema de intervalo variável, segundo REESE (1975, p.47) “mantém persistentemente o comportamento de responder em uma freqüência baixa”.

No programa de intervalo variável, o reforço é empregado dentro de um certo período de tempo, porém variando os intervalos entre os reforços.

Os esquemas de razão reforçam diferencialmente a produção rápida de respostas, ou seja, assim que o sujeito responde é prontamente reforçado.

Segundo REESE (1975, p.44) “quando a razão é fixa, há uma pausa após o reforço, mas se a razão é variável, mantém-se uma alta freqüência de respostas”.

Conforme WHALEY e MALOTT (1980, p.131) “um esquema em razão fixa é um esquema de reforçamento intermitente, no qual o reforçamento ocorre após um número específico de respostas”.

Além da alta frequência de resposta, outra característica do reforçamento em razão fixa é uma pausa-após-reforço que surge depois da ocorrência do reforçador.

No programa de razão fixa, o reforço é empregado após um número previamente estabelecido de respostas.

O esquema em razão variável é aquele no qual o reforçamento acontece depois de um número variável de respostas.

O comportamento produzido através de um esquema de razão variável é semelhante ao produzido pelo esquema de razão fixa, porém, segundo WHALEY e MALOTT (1980, p.131) “os dois esquemas diferem, porém, pois em razão variável não se produz pausa-após-reforço”.

No programa de razão variável, o reforço é empregado aleatoriamente (alguma razão média) em relação às respostas.

Os esquemas de razão e intervalo diferem na maneira como o desempenho é influenciado quando o reforço é diminuído ou interrompido.


Vídeo: O que é Behaviorismo?


Referências

BAUM, W. M. Compreender o Behaviorismo Ciência, Comportamento e Cultura.  Porto Alegre: 1999.

BOCK, A.M.B.; FURTADO, O.; TRASSI TEIXEIRA M.L. Psicologias Uma introdução ao estudo da psicologia. São Paulo: Saraiva. 2002.

BOLTON, L.; WARWICK, L. L. O livro completo da Psicologia Explore a psique humana e entenda por que fazemos as coisas que fazemos. São Paulo: Madras. 2005.

CABRAL, A.; NICK, E. Dicionário Técnico de Psicologia. São Paulo: Cultrix. 2003.

CHAVES, E. S.; GALVÃO, O. F. O behaviorismo radical e a interdisciplinaridade: possibilidade de uma nova síntese?  Psic. Reflex. Crit., Porto Alegre, v.18. n. 3, 2005. Disponível em: . Acesso em 24 Set 2006. doi:10.1590/S0102-79722005000300003.

MYERS, D. G. Introdução à Psicologia.  Rio de Janeiro: Editora LTC, 1999.

REESE, E. P. Análise do Comportamento Humano.  Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1975.

SKINNER, B. F. Ciência e comportamento humano.  São Paulo: Martins Fontes, 2003.

SPERLING. A. P. Introdução à Psicologia.  São Paulo: Pioneira, 1999.

WHALEY, D. L.; MALOTT, R. W. Princípios elementares do comportamento.  São Paulo: EPU, 1980.