O psicoterapeuta junguiano

O psicoterapeuta junguiano evoca projeções profundas e arquetípicas.

Ele deve estar atento aos seus complexos e deve estar ciente de que não cabe a ele estipular aonde o seu cliente deve chegar.

O psicoterapeuta junguiano

O psicoterapeuta junguiano


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Todos nós temos uma nota que é mais ressonante do que a outra, isto é, todos nós ou somos mais objetivos ou somos mais subjetivos.

O psicoterapeuta junguiano não foge a esta regra, porém ele deve estar atento a não polarizar sua atuação em sua nota mais ressonante.

Se ele for demasiadamente objetivo será extremamente científico e perderá o individual.

Se ele for extremamente subjetivo ele tende a mergulhar seu cliente na subjetividade e a dimensão objetiva da terapia se perde.

É preciso que haja um equilíbrio.

O psicoterapeuta junguiano, devido à natureza de sua atuação, evoca frequentemente projeções profundas, ou seja, projeções que ultrapassam as projeções pessoais e alcançam as projeções arquetípicas e isto pode despertar certo deslumbramento e sensação de poder por parte do terapeuta.

Isto deve ser sempre evitado, pois a responsabilidade é grande quando as almas são tocadas.

E o cuidado deve ser constante, pois o terapeuta é alvo de constantes projeções de seu cliente e ele não deve confundir seu papel profissional com as projeções que pertencem à psique de seu cliente e não a ele mesmo.

O psicoterapeuta junguiano também deve estar muito atento aos seus complexos, pois eles podem contaminar o processo terapêutico e a terapia de seu cliente servira para que ele trate o seu complexo projetado no cliente e não o próprio cliente.

É fundamental a ideia de que a personalidade do terapeuta é presente na relação terapêutica e, desta forma, é também instrumento da psicoterapia.

O complexo do terapeuta precisa ser tratado antes do complexo do cliente e se o andamento da psicoterapia não permitir que isto ocorra é necessário então a total atenção do terapeuta para que ele não seja obstáculo ao crescimento de seu cliente.

Outro ponto importante para a atuação do psicoterapeuta junguiano é o de que não cabe a ele estipular aonde o seu cliente deve chegar.

Tais questões devem ser deixadas para o misterioso destino ou para os propósitos do self do indivíduo.

Paulo Rogério da Motta