Psicologia e reencarnação


Psicologia e reencarnação são temas que podem caber numa mesma frase.

A reencarnação afeta a conduta humana e é conteúdo psíquico que não pode ser proibição para o psicólogo, creia ele ou não.


Psicologia e reencarnação

Reencarnação: tema controverso para o meio científico em razão de não ser um objeto de estudo que possa ser analisado pelo método científico corrente, porém, é inegável que se trata de um tema que desperta a curiosidade humana e sendo para muitos um tema que causa forte influência em sua trajetória de vida.

Tal tema não pode ser desconsiderado pela psicologia, que traz em sua própria etimologia a palavra alma (psyche), além do fato de ser a reencarnação um tema que afeta a conduta humana.

Alguns excertos do prefácio do livro “As várias vidas da alma: Um psicoterapeuta junguiano descobre as vidas passadas”, de Roger J. Woolger:

A capacidade de recordar vidas passadas é tema de pesquisa sistemática de psicólogos há quase trinta anos.

O dr. Ian Stevenson, da Universidade de Virgínia, tem um arquivo com centenas de investigações meticulosas sobre vidas anteriores que foram lembradas espontaneamente por crianças.

A crença ou descrença na reencarnação influencia o modo do ser humano lidar com a sua existência.

Especialmente o psicólogo, mesmo quando este não considerar como razoável a possibilidade da reencarnação, ainda assim, terá que lidar com tal tema como conteúdo psíquico daquele que acredita.

Roger J. Woolger, na obra citada ainda diz:

Psicoterapeutas e hipnoterapeutas como Morris Netherton, da Califórnia, e Joe Scranton, da Inglaterra, mostraram no cinema e na televisão o trabalho extraordinário de regressão de adultos a vidas passadas.

Durante o transe, os pacientes se contorcem ao recordar a agonia da morte, choram copiosamente com a perda de entes queridos ou passam a se expressar em línguas estrangeiras das quais sequer ouviram falar.

A “alma” é ideia fundamental para a ocorrência da reencarnação, afinal é a alma que reencarna em diversos corpos físicos.

A presença da figura da alma é que promove a resistência para que um tema como a reencarnação seja colocada como terreno em que o psicólogo caminha.

Woolger segue dizendo:

Apesar de toda essa publicidade […] a pesquisa e a terapia de vidas passadas são completamente ignorados ou mesmo menosprezados de forma irônica pela maioria dos psicólogos e intelectuais das universidades mais importantes dos Estados Unidos e da Europa.

Por que isso acontece?

Uma das razões possíveis é que “vidas passadas” sugere reencarnação para a maioria das pessoas, e reencarnação evoca imediatamente imagens de ocultismo, exorcismo e possessão por espíritos; é coisa “do demônio”, como dizem os fundamentalistas. […].

Pode ser também porque reencarnação parece ser algo suspeitamente oriental. […].

O fato é que a psicologia possui um papel distinto de todas as outras ciências porque o seu material de trabalho é o que se passa na mente humana.

A reencarnação não precisa ser uma crença do psicólogo para que apareça como tema no setting psicoterapêutico.

Woolger ainda diz:

[…] Será que estamos realmente às vésperas de uma reavaliação radical do que é personalidade humana?

Estará surgindo uma nova psicologia que possa abranger novamente o componente imortal chamado tradicionalmente de “alma”?

Será que as antigas doutrinas de karma e reencarnação podem ser compreendidas em termos que façam sentido psicologicamente para homens e mulheres ocidentais modernos, sem a aceitação cega de outros dogmas e sem degenerarem numa forma popular de psicologia da moda?

Acredito que sim […].

Tomara que sim!

Paulo Rogério da Motta