Psicologia e Espiritualidade

Psicologia e Espiritualidade

Psicologia e espiritualidade


Jung ressalta que a psicologia e, por consequência, o psicólogo devem se preparar para lidar com temas que envolvam a espiritualidade humana:

Os conhecimentos que se exigem do médico não constaram de seu currículo na faculdade. Não foi preparado para cuidar da alma humana, pois ela não é problema psiquiátrico ou fisiológico, e muito menos biológico. É um problema psicológico. A alma é um território em si, com leis que lhe são próprias. A essência da alma não pode ser derivada de princípios de outros campos da ciência, caso contrário violar-se-ia a natureza particular do psiquismo. (JUNG, 2011, § 22).

A psicologia não pode negligenciar a espiritualidade humana, pois se assim fizesse estaria contrariando a totalidade do ser humano.

Psicologia e espiritualidade

O entrelaçamento de psicologia e espiritualidade


Nas palavras de Jung, a espiritualidade vem a ser um tema da psicologia, nunca com o propósito de doutrinar ou de assumir o papel de detentora de verdades definitivas.

Cabe sim à psicologia considerar a espiritualidade como algo que é inerente à natureza humana  e não rotulá-la como devaneio ou patologia.

Qualquer tema tratado que envolva a psicologia e espiritualidade deve passar pelo crivo do bom senso de cada um e tendo em vista que a espiritualidade não caberá num processo de racionalização e tornar-se então algo que é cativo do ego.

Fabry nos alerta sobre tal coisa:

A ciência moderna fez da razão consciente aquela que determinava a sua conduta, porém a concepção de inconsciente fez com que fosse necessário um movimento de transformação em sua forma de ser e agora uma nova revolução se faz necessária: a de não mais se negligenciar o espírito do homem (FABRY, 1984).

Todo conhecimento concernente à espiritualidade deve ser tratado como considerações e não como decretos da verdade.

Espírito e espiritualidade para a psicologia

A ambiguidade de psicologia e espiritualidade


A espiritualidade é algo que faz parte do mundo interno de cada ser humano e a verdade dentro de cada um deve ser construída por aquele que habita e vive neste mundo interno.

Ao psicólogo, em particular, cabe o papel de que tudo que é expresso por seu cliente é material para seu trabalho e as expressões provenientes da área da espiritualidade devem ser assim vistas, independente da crença do terapeuta.

O psicoterapeuta está a serviço do outro e o mundo em que ele deve caminhar para auxiliar quem o procurou é o mundo do outro.

O psicólogo vive em meio à ambiguidade e esta é uma presença constante em seu dia a dia.

Psicologia e espiritualidade caminham na ambiguidade.

Carl Gustav Jung, no Livro Vermelho, diz:

“[…] Mas a ambiguidade é o caminho da vida. […] Você diz: o Deus cristão é inequívoco, ele é amor. Mas o que é mais ambíguo que o amor? O amor é o caminho da vida se você tem uma esquerda e uma direita. Nada é mais fácil que brincar de ambiguidade e nada é mais difícil que viver a ambiguidade.”.

Paulo Rogério da Motta


Referências

FABRY, J. B. A busca do significado. São Paulo: ECE, 1984.

JUNG, C. G. A prática da psicoterapia. Petrópolis: Vozes, 2011.

JUNG, C. G. O Livro Vermelho: edição sem ilustrações. Petrópolis: Vozes, 2013.