Psicologia da primeira infância


O primeiro desenvolvimento é o pré-natal e compreende, em geral, um período de nove meses.

Sobre o período pré-natal há o artigo: O período pré-natal.

A etapa seguinte é constituída de um período de três anos: a primeira infância.

A psicologia da primeira infância começa a partir do nascimento da criança.


Vídeo: O milagre da vida acontece


 A psicologia infantil

A psicologia infantil é muito importante porque a personalidade adulta tem suas raízes na infância.

O que somos e o que fazemos como adultos é em grande parte determinado pela maneira como nos foi permitido experimentar os inevitáveis eventos da infância.

Psicologicamente, a vida começa não depois do nascimento e possivelmente antes dele.

Tem-se acreditado, faz muito tempo, que a mulher grávida pode de alguma maneira marcar seu bebê através de seu pensamento, experiências ou emoções.

Dentro do útero não há “necessidade” de perceber, pensar… Após o nascimento a necessidade de tudo isso é constante.

Trataremos deste período da vida da criança! Este artigo tem como referência e excertos da obra: “Introdução à Psicologia”, de A. Sperling e K. Martin.


Psicologia da primeira infância

A psicologia da primeira infância – 0 a 3 anos

Tem início o período de maturação.

Após o nascimento, se o bebê se desenvolve naturalmente, podemos esperar que suas capacidades amadureçam em idades que são aproximadamente as mesmas para todas as crianças.

A tabela a seguir mostra os períodos em que são esperadas determinadas ações do bebê:

A psicologia da primeira infância

É importante notar que a taxa de desenvolvimento difere de criança para criança.


O controle do intestino

Leva no mínimo dois anos para amadurecer.

Na idade de dois anos e meio para três, a criança pode sofrer de uma leve prisão de ventre.

Pode ocorrer da criança brincar ou se lambuzar com as fezes e isto pode ser superado por algo substituto, como a argila, por exemplo.


O controle diurno da bexiga

É estabelecido, em média, aos dois anos de idade se o treinamento teve início perto do final do primeiro ano.

A criança precisa ser ensinada a associar seu sentimento de pressão interna com um sinal para a mãe.

Com um treinamento apropriado e condições físicas normais passa o dia e a noite sem se molhar, em média, aos três anos de idade.


Enurese

Após três anos e meio e quatro anos algumas crianças continuam a molhar a cama. Esta condição é conhecida como enurese.

A maior parte dos casos de enurese resulta de um distúrbio psicológico ou de procedimentos inadequados no treinamento.

Punição, maus tratos e excitação aumentam a enurese.

As punições deixam a criança com um medo obcecado de se molhar e esse medo faz com que a criança acabe se molhando.


Alimentação

A criança está pronta para manipular uma colher antes de um ano de idade.

A criança algumas vezes recusa um alimento.

O não gostar pode ser sincero, pode ser um humor temporário ou pode ser uma imitação de algum outro membro da família.

Uma criança normal, com fome, irá comer o suficiente, se tudo for apetitoso.


A importância da atividade lúdica

Fisicamente, a brincadeira ajuda no crescimento dos músculos da criança.

A criança na brincadeira libera a energia nervosa.

Socialmente, leva a criança a se comportar de maneira social.


Manipular os órgãos genitais

Quase todas as crianças descobrem que manipular seus órgãos sexuais desperta sensações de prazer.

A prática é normal, no sentido de que a maioria das crianças pratica isso.

Se repreendidas ou punidas, elas não vão largar o hábito, mas começam a praticá-lo em segredo, desenvolvendo sentimento de culpa e ansiedade.

Aos pais cabe procurar desviar a atenção da criança para essa prática.


A moralidade infantil

Os bebês não são nem morais nem imorais. Eles são amorais.

Por volta de três ou quatro anos, no entanto, a criança cuja disciplina foi consistente sabe o que é aceitável e o que é reprovável.

Sempre que a criança tem condições de entender, deve-se dizer à ela a razão por que certos atos são certos enquanto que outros são errados.


Psicologia da primeira infância

A psicologia da primeira infância – O desenvolvimento do eu


Desejo de amor e estima

Dar as crianças alimento e contato corporal passa a ser um sinal de amor.

Elogiar seus atos torna-se um sinal de estima.

Uma criança amada e estimada serão mais fortes para combater os impulsos básicos e aprenderá melhor a suportar a frustração de suas necessidades e desejos.


O efeito psicológico do nome

Possuir um nome torna a criança um ser, alguém.

O nome confirma uma existência distinta.

O menino que possui o mesmo nome do pai pode estar em desvantagem, pois pode interferir no seu sentimento de independência.


Desenvolvimento emocional

Depois do primeiro choro, os demais choros da criança possuem um significado emocional.

A criança expressa suas emoções por completo. Ela não é inibida emocionalmente.

A raiva é uma reação natural à frustração.

Aos pais cabe ensinar os caminhos corretos para atingir seus objetivos.

A causa da raiva não pode ser encontrada se o acesso de raiva é inteiramente suprimido ou inteiramente ignorado.

Ignorar a raiva pode gerar mimo e reprimir a raiva pode gerar insegurança.


Aceitação dos pais

É dever dos pais exercitar a independência dos filhos.

Encontra-se benefício psicológico no elogio dado nas tentativas bem sucedidas da criança. Faz o bebê se sentir confiante de sua capacidade.

Autoconfiança e segurança são os dois presentes mais importantes que os pais podem dar aos filhos.

Os pais que gostam de seu filho como ele é, pelo que é, facilitarão o caminho para que ele seja uma pessoa corajosa e generosa.


A dominação dos pais

Há pais que forçam a criança a aprender quando e como eles querem.

Uma criança bem educada não é a que teve seu espírito refreado.

A criança tímida pode não ser corajosa.

A criança que não se expressa pode não fazer isso por se sentir indefesa ou por não ter confiança em si mesma.


Efeitos da dominação dos pais

Neuroses são meios para que a criança consiga fazer ouvir sua angústia interior.

A repetição de punições pode gerar sentimento de isolamento e desamparo e o sentimento de estar sempre fazendo algo errado gera ansiedade.

A culpa e o sentimento de fracasso não são facilmente esquecidos.

A frustração contínua pode tornar a criança agressiva (contra o outro e contra si mesma).

Educar uma criança é algo quer deve ser feito de forma equilibrada, isto é, a restrição e a permissão devem ser usadas com bom senso pelos pais e educadores.

A predominância da utilização da restrição ou da permissão podem gerar efeitos negativos na configuração da personalidade da criança, como, por exemplo, tornar a criança insegura ou sem controle e vale considerar que tudo que é configurado na psique da criança na infância é de fundamental importância no adulto que ela se tornará.

O reconhecimento e desenvolvimento de qualidades e talentos em uma criança é algo também tão importante quanto a educação que lhe é dada.

Sobre isso Lya Luft nos diz:

“Cada desperdício de um destino, um indivíduo que se proíbe de se desenvolver naturalmente conforme suas capacidades ou até além delas, me parece tão trágico e tão importante quanto uma guerra.”


Vídeo: As fases do desenvolvimento humano