Psicoespiritualidade e materialismo espiritual

O materialismo espiritual desfigura a totalidade da natureza humana.

Psicoespiritualidade e materialismo espiritual

Equívoco egóico


A psicologia tem procurado investigar a atuação do homem considerando:

  • As suas reações
  • A sua neurofisiologia
  • Seu modo de pensar
  • Sua capacidade de cognição
  • A percepção do mundo à sua volta
  • Seus complexos como as neuroses e psicoses
  • Suas relações sociais

E muito poderia ser citado como campo de estudo da psicologia e tal amplitude de investigação se deve ao fato de que o homem e a sua natureza são os objetos de estudo da psicologia.

A espiritualidade entendida pela maioria, por não ser tangível e mensurável, é um tema que é tratado com dificuldade pelo psiquismo humano.

A dificuldade se deve porque toda experiência vivida pelo ser humano é interpretada pelo seu ego.

O ego, por sua vez, procura na experiência vivida apreender o conhecimento obtido como “um algo”, ou seja, como “uma coisa” psíquica.

Sendo assim, um grande obstáculo ao estudo da espiritualidade é o que se pode denominar de “materialismo espiritual”.

Vejamos no vídeo a seguir como o ego faz essa relação entre materialismo e espiritualidade e como acontece o materialismo espiritual.


Materialismo e espiritualidade


Psicoespiritualidade e Materialismo Espiritual


A Psicoespiritualidade concebe que psíquico e espiritual são indissociáveis e que o modo de funcionamento da psique é semelhante ao modo de funcionamento da alma.

Digo que é semelhante e não idêntico porque a alma está em uma esfera superior à psique, portanto, a alma transcende à psique.

Vejamos o que Jung fala sobre a alma em sua obra “A prática da psicoterapia”:

Os conhecimentos que se exigem do médico não constaram de seu currículo na faculdade.

Não foi preparado para cuidar da alma humana, pois ela não é problema psiquiátrico ou fisiológico, e muito menos biológico.

É um problema psicológico.

A alma é um território em si, com leis que lhe são próprias.

A essência da alma não pode ser derivada de princípios de outros campos da ciência, caso contrário violar-se-ia a natureza particular do psiquismo.

Jung declara que a alma funciona através de leis que lhe são próprias e que a psicologia é o instrumento adequado para lidar com os assuntos da alma.

A essência da alma é o espírito e a psicologia para adentrar em assuntos espirituais precisa ampliar a natureza humana para a visão em que o ser humano é um ser espiritual, não estabelecendo um limite em sua natureza somente até o psíquico.

A psique é meio de expressão da alma e a alma, por sua vez, é meio de expressão do espírito.

Agora, retomando o tema do materialismo espiritual, o ego estabelece a espiritualidade dentro dos limites de sua percepção e a percepção do ego contempla o que é aparente.

Mas a aparência não reflete a verdade e atualmente a física quântica nos mostra que a suposta realidade percebida por nós não corresponde à verdade do que é observado!

Sendo assim, delimitar a espiritualidade nos limites do ego é “coisificar” a espiritualidade e isto é “materialismo espiritual”.

Para lidar com o que é espiritual há sim que se utilizar o ego, afinal, ele é instrumento da consciência.

Mas há que se ter o cuidado de não limitar a espiritualidade em seus estreitos muros.

Há que se transcender o ego para lidar com a espiritualidade.

Um artigo interessante que você pode ler para ilustrar esta “coisificação” do ego está em meu outro blog: Euniverso, e o artigo é: “Sensação e Percepção: A “mente” mente.“.

Outra sugestão de artigo aqui do blog é: A arte de ouvir na Psicoespiritualidade.

Paulo Rogério da Motta