Olavo Bilac, Jung e o dualismo

Olavo Bilac assim como o Jung falaram do dualismo e colocaram o par de opostos como termos que residem juntos.

Olavo Bilac, Jung e o dualismo

Na unidade da totalidade reside a dualidade.

Olavo Bilac, Jung e o dualismo

Dualismo, de Olavo Bilac


Não és bom, nem és mau: és triste e humano…

Vives ansiando, entre maldições e preces,

Como se a arder no coração tivesses

O tumulto e o clamor de um largo oceano.

Pobre, no bem como no mal padeces;

E rolando num vórtice insano,

Oscilas entre a crença e o desengano,

Entre esperanças e desinteresses.

Capaz de horrores e de ações sublimes,

Não ficas com as virtudes satisfeito,

Nem te arrependes, infeliz, dos crimes:

E no perpétuo ideal que te devora,

Residem juntamente no teu peito

Um demônio que ruge e um deus que chora.

Olavo Bilac


Olavo Bilac, Jung e o dualismo

Pleroma


O dualismo de Olavo Bilac é também contemplado por Carl Gustav Jung.

Jung em sua obra: O Livro Vermelho, fala do Pleroma…

Pleroma, conforme nota de rodapé da obra citada, é um termo tirado do gnosticismo.

Jung falou que os antigos gnósticos se referiam ao Pleroma como um estado de plenitude em que os pares de opostos ainda estão unidos.

No Pleroma “sim e não” estão unidos.

No estado de “antes de virem a ser” o dia e a noite são um.

Depois, quando “vem a ser” se tornam dualidade.

Sim “e” não.

Dia “e” noite.

Na não existência, dois.

Na existência, um.

De “O Livro Vermelho”:


фІΛΗΜΩΝ diz:

Ouvi, pois. Eu começo no nada. O nada é o mesmo que a plenitude. Na infinitude há tanto o cheio quanto o vazio. O nada é cheio e vazio. […] Uma coisa eterna e sem fim não tem qualidades, porque possui todas as qualidades.

Nós chamamos o nada ou a plenitude de Pleroma. Nele cessam pensar e ser, pois o eterno e sem fim não tem qualidades. […]

A criatura não está no Pleroma, mas em si. O Pleroma é o começo e o fim da criatura. […]


Entre o começo e o fim está o viver.

Na contradição da dualidade está a possibilidade da liberdade.

Olavo Bilac, Jung e o dualismo

Dualismo, de Carl Gustav Jung


O operante e o inoperante,

O cheio e o vazio,

O vivo e o morto,

O diferente e o igual,

O claro e o escuro,

O quente e o frio,

A força e a matéria,

O bem o mal,

O belo e o feio,

O uno e o múltiplo,

Etc..

[…] as qualidades estão em nós

Distintas entre si e separadas,

Por isso não se anulam,

Mas são operantes.

Por isso somos

A vítima dos pares de opostos.

Em nós o Pleroma está desunido.

[…] No Pleroma elas se anulam,

Em nós não.

A diferenciação delas liberta.