O sagrado feminino e a presença da Deusa

O sagrado feminino e a presença da Deusa


O sagrado feminino e a presença da Deusa

Hoje soa estranho para muitos ouvir a expressão “Deusa”.

Os ouvidos não estão acostumados, eles se acostumaram somente com a expressão “Deus” e a presença da Deusa incomoda!

Incomoda porque afeta o que está acomodado em suas psiques e o efeito psicológico disto é que a menção da expressão “Deusa” soa como sinônimo de blasfêmia.

Muitos se sentem assim!

Este artigo se considerado como religioso (no sentido institucional) pode incomodar também!

Porém, este artigo é psicológico, mas pode ser também religioso no sentido de religare, ou seja, pode ser lido como instrumento de ligação ao sagrado. Dependerá da ótica de quem ler!

As linhas aqui escritas falam do sagrado feminino e da presença da Deusa na história e na psique humana.

As linhas aqui escritas afirmam que a Deusa é viva e é vida!

O sagrado feminino e a presença da Deusa

A Deusa é a Vida!

Alegrai-vos! Ela está em você!

A Deusa é viva


A Deusa sempre esteve viva!

Se a Deusa é a vida a presença da Deusa se constata ao se estar vivo!

Ao se colocar que a “Deusa é vida” se perde o sentido de considerar que Ela esteve morta ou ausente, mas, historicamente, pode aparentar que houve a ausência da Grande Mãe.

Isso nunca aconteceu!

Seria, por analogia, como dizer que o sol não mais existiu ou morreu quando encoberto por nuvens.

A Deusa não pode ser apagada porque ela é presença psíquica e o arquétipo da Grande Mãe foi psiquicamente concebido muito antes da presença arquetípica do Grande Pai.

O acreditar sem ver é a fé, o presenciar sequer precisa da fé, pois é empírico.

A presença da Deusa não é uma questão de crença. A sua presença é psiquicamente real, creia-se religiosamente ou não nela.

Nuvens culturais encobriram a presença histórica da Deusa no cotidiano humano e foi graças à fé de alguns heróis da resistência que se manteve acesa a fé na Deusa.

As fogueiras acesas para queimar estes abnegados seguidores da Deusa serviram para manter acesa a chama nos dias cinzentos da história da espiritualidade humana.

Estes abnegados alimentaram a fé na Deusa e a presença do sagrado feminino fazia parte de suas vidas.

Fogueiras foram acesas para queimar bruxas que foram estereotipadas como adoradoras do diabo que, aliás, sequer existe na religião da Deusa.

Mas, mesmo estas fogueiras acesas por outros que queriam aniquilar a presença da Deusa acabaram por servir para alimentar de maneira histórica a sua presença.

Psiquicamente a Deusa nunca esteve morta.

Arquétipos não morrem!

Toda experiência humana é uma experiência psíquica!

E o ser humano concebe tudo o que vive de forma psíquica. Tudo! Inclusive o sagrado!

Creia-se ou não na Deusa ou creia-se num Deus masculino e único, ainda assim, a presença da Deusa é inevitável na psique humana.

Os que creem religiosamente na Deusa vivem sua presença psíquica também conscientemente.

Os que não creem vivem a presença da Deusa de forma inconsciente e projetando sua presença em santas, mulheres, causas e tantas faces que a Deusa pode adotar.

A história tentou apagar a presença da Deusa e esta tentativa trouxe à história humana dias cinzentos.

Os dias cinzentos apresentaram um monoteísmo baseado numa dualidade contraditória: um deus único, porém em eterno confronto com um ser que é como o seu avesso.

De um lado o bem e do outro lado o mal, lados que nunca poderão ser integrados e que, por isso, exige a aniquilação de um lado para que somente um prevaleça.

Situação terrível para a psique humana que atua na dualidade e busca a integração e a totalidade!

Desta forma surgiu o unilateralismo religioso que resultou na tentativa utópica de aniquilação do sagrado feminino e de extinção de qualquer outra religião que não fosse a do Deus único.

A tentativa psiquicamente utópica foi a de fazer a psique atuar de maneira unilateral, masculina, positiva e com o imperfeito ser humano buscando perfeição sem nem antes ter encontrado sua própria totalidade.

Hoje as nuvens estão se dissipando, mas ainda existem e são muitas e espessas.

Mas raios de sol já podem ser vistos por olhos mais atentos.

O resgate do sagrado feminino é um desses raios do sol da presença da Deusa.

O sol de sua presença sempre esteve presente, mas agora a Deusa transita nas psiques humanas sem precisar de disfarce.

O sagrado feminino e a presença da Deusa

A presença da Deusa


A vida é constituída de ciclos.

As nuvens que encobriram a presença da Deusa não são eternas nem definitivas.

Nuvens são passageiras e desaparecem se transformando em chuva.

Começa a chover na história da espiritualidade humana!

A chuva é a integração que acontece através do resgate do sagrado feminino.

O sol da presença da Deusa torna-se cada vez mais radiante e já pode ser visto nos dias de chuva.

Chuva que molha e alimenta o solo em que os humanos caminham para escreverem suas histórias de vida.

Chuva que alimenta a vida.

Vida que é a Deusa.

O solo molhado e alimentado é o nascedouro de uma necessária nova era da humanidade que fará com que o ser humano perceba sua unidade com as demais formas de vida, que são a Deusa.

A Deusa é a vida!

A presença da Deusa é necessária para uma nova mentalidade humana, mais ecológica e holística, que colocará o ser humano como um ser que reverencia a vida e, assim, tornará o viver um ato sagrado.

Começa a chover e após chover surgirá o arco-íris que se mostra como parte de um círculo que é a forma perfeita.

Um arco-íris que se mostrará para nós como um arco colorido que tem início num ponto e termina em outro e que, simbolicamente, nos indicará uma ponte que integrará dois lados, mas que, como parte de um círculo, também nos indicará que ele é apenas um ciclo de algo que não tem fim.

A presença da Deusa não determina a exclusão do masculino, pois o masculino não é algo oposto.

O masculino é a contraparte do feminino.

Feminino e masculino formam um casal: A Deusa e o Deus.

Tudo é apenas o fluir de ciclos da história da espiritualidade humana:

  • Houve o verão da presença da Deusa (o culto à Deusa)
  • Houve o outono quando a presença da Deusa se casou (o culto aos Deuses)
  • Houve o inverno que foi quando a presença da Deusa engravidou (o culto ao Deus)

O sagrado feminino e a presença da Deusa

No período de gestação da Deusa o seu Consorte prevaleceu para que Ela se recolhesse para vivenciar mais a sua gestação e há agora os primeiros sinais do surgimento da primavera em que o casal divino viverá uma vida familiar.

O Deus-Pai, a Deusa-Mãe e nós como os filhos desta união sagrada.

Filhos nascidos desta longa história da espiritualidade humana.

Filhos da vida, da união, fetos gerados do sêmen da vontade de criar vida e gerados na vida em si.

Somos filhos dos Deuses.

Alegrai-vos!

Somos filhos da Vontade de tudo existir e somos filhos da Vida.

Somos filhos dos Deuses e, por isso, “viver é sagrado”.

Paulo Rogério da Motta


Vídeo: Marie Gabriella Pandovan Catenne – Ilumina Minha Mãe