O que é mitologia?

A resposta para o que é mitologia nos leva a origem do universo, ao contato com deuses e sagas e à própria natureza da psique humana.

Os mitos são eternos e residem em cada um de nós.

O que é mitologia

O que é mitologia?


Segundo Marilena Chaui, em Convite à filosofia, a palavra mito vem do grego, mythos, e deriva de dois verbos: mytheyo (contar, narrar, falar alguma coisa para outros) e mytheo (conversar, contar, anunciar, nomear, designar).

E, de acordo com Brandão (Mitologia Grega, vol. I) a palavra mito vem do grego, miéin, manter a boca e os fechados e tem origem nos antigos mistérios de iniciação.

Também derivam da expressão miéin as palavras mystérion (mistérios) e mýstes (neófitos ou iniciados nos mistérios).

A expressão logia tem origem na palavras logos que significa compreensão, estudo ou conhecimento.

Além da definição etimológica, mais importante é o significado que ele incorpora. Não há consenso para o significado do mito, mas, talvez, a mais adequada seja a de que os mitos contam histórias de criações primordiais, isto é, conta histórias sobre o princípio de algo.

O ser humano é como é hoje porque uma série de eventos ocorreu, ou seja, uma história precede o surgimento de qualquer coisa, isto é, tudo para ter existência teve que ter uma história de criação.

A morte para existir teve que ter início com a morte de algo ou alguém.

A sexualidade para existir teve que ter uma história de procriação.

Para tudo o que foi criado há um drama primordial.

O mito é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa, por exemplo: origem dos astros, da Terra, dos homens, dos elementos naturais, da saúde, da doença, da morte, etc..

Os mitos, desta forma, relatam a atividade criadora e aqueles que são os criadores são personagens consideradas sagradas ou sobrenaturais.

Sendo assim, os mitos são relatos de histórias sagradas e “verdadeiras” em sua essência, pois uma cosmogonia, uma história que relata a origem do universo, é ratificada  pelo universo que existe, ou seja, o universo existente e em que vivemos é a própria prova de sua criação.

O mesmo raciocínio pode ser utilizado pelos mitos de morte, afinal, a morte prova sua existência todos os dias e, sendo assim, é algo criado e que faz parte da existência de tudo o que foi criado.

Tudo o que é existente é algo criado e os mitos contam as histórias da criação.

O que é mitologia

Mito é história?


Então mito e sinônimo de história?

Não.

Os mitos se expressam através de histórias, mas os mitos não são relatos literais de fatos ocorridos.

Os mitos falam de significados esotericamente inseridos nos símbolos.

A mitologia é uma forma que o homem encontrou de explicar o universo e o papel que ele ocupa na existência.

O que é mitologia

O que está embaixo é como o que está em cima


O ser humano é um ser que reproduz em sua vida cotidiana todas as manifestações da vida e do universo, por exemplo: a criação do universo encontra similaridade na vida humana com seu próprio nascimento.

Inúmeras cosmogonias iniciam com a expressão: “no princípio era o nada” e então um Pai sagrado injeta vida e o universo é gerado.

Na criação da vida humana o “nada” mitológico é o útero materno, daí vem a expressão mater que é presente tanto nas palavras “materna” e “matéria”, como também na expressão prima mater ou matéria prima.

O Pai Criador na gênese do universo é substituído na vida humana pelo pai biológico.

Assim a criação macrocósmica do universo encontra similaridade na criação microcósmica da vida humana.

E assim, os mitos carregam em si também a história da natureza humana e dá veracidade ao enunciado na Tábua de Esmeralda de Hermes Trismegisto que diz que: “O que está embaixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está embaixo, para realizar os milagres de uma única coisa.”.

A relação entre o macrocósmico e o microcósmico encerrado em cada ser humano indica que ao estudarmos os mitos estudamos, ao mesmo tempo, a natureza humana.

Tomar ciência de alguma coisa é ter a consciência desta coisa, consequentemente, os mitos também são histórias da trajetória da consciência humana.

As narrativas mitológicas contém em si o mapa psíquico da natureza humana, ou seja, o modo como o ser humano ordena a sua existência psíquica.

O mito antigamente era um orientador da direção da vida humana, bem como, indicava valores que se tornaram configurações psíquicas no ser humano e que Jung chamou de arquétipos.

Esta herança psíquica e existência subjetiva constitui a natureza humana, não só do homem antigo, mas do homem em qualquer tempo.

Eis por que estudar a mitologia é mergulhar na natureza humana!

Existe em cada ser humano: deuses, deusas e sagas; assim como existem nos mitos.

Os mitos, portanto e também, expressam modelos das atividades humanas mais significativas.

Segundo Joseph Campbell, os mitos “transmitem mais do que um mero conceito intelectual, pois, pelo seu caráter interior, eles proporcionam um sentido de participação real na percepção da transcendência”.

O que é mitologia

Enfim…


O mito é uma jornada da transformação da consciência humana.

Todas as sociedades e todas as culturas têm a sua história alinhavada pelos mitos.

Inúmeros são os mitos e incontáveis são os deuses.

Os mitos são histórias que contam desde o nascimento do mundo até o fim dos tempos e são passados de geração para geração.

Os mitos delineiam caminhos com histórias escritas em símbolos para a alma humana caminhar.

Um de nossos problemas, hoje em dia, é que não estamos familiarizados com a literatura do espírito. Estamos interessados nas notícias do dia e nos problemas do momento. Antigamente, o campus de uma universidade era uma espécie de área hermeticamente fechada, onde as notícias do dia não se chocavam com a atenção que você dedicava à vida interior, nem com a magnífica herança humana que recebemos de nossa grande tradição – Platão, Confúcio, o Buda, Goethe e outros, que falam dos valores eternos, que têm a ver com o centro de nossas vidas. Quando um dia você ficar velho e, tendo as necessidades imediatas todas atendidas, então se voltar para a vida interior, aí bem, se você não souber onde está ou o que é esse centro, você vai sofrer. (Joseph Campbell, O poder do mito).

Paulo Rogério da Motta