O que é alma?

Considerações sobre o que é alma, a visão da Psicologia Analítica e a posição que cabe à psicologia e ao psicólogo.

O que é alma

O que é alma?


Três considerações sobre a alma estão presentes na psicologia junguiana:

  • A de que a alma não é superstição nem figura de retórica
  • De que a alma é uma realidade psicológica
  • A alma é vivida psiquicamente de maneira inconsciente

A alma se encontra além das fronteiras do ego, mas, apesar de viver no inconsciente, a alma é quem media o ego e o inconsciente.

Por isso, Jung, inúmeras vezes, concebeu a psique como a própria alma humana.

Esta concepção coloca o psicólogo, acima de tudo, na posição de um estudante e cuidador da alma humana e não essencialmente como um curador de neuroses ou um mecânico do comportamento humano.

Robert A. Johnson, comenta em sua obra: We: a chave da psicologia do amor romântico, que é a alma quem recebe e transmite as imagens do inconsciente para o consciente.

A alma se manifesta por símbolos e, por isso, tantas vezes é relegada como ilusão.

A alma é incorpórea e o que é espiritual não há como se investigar dentro dos limites da ciência.

Tais afirmações poderiam ser justificativas para se excluir a espiritualidade de qualquer campo que seja reconhecido como científico.

Assim, a alma é hoje desconsiderada no meio acadêmico e é tida como alucinação e sua existência é apenas testemunhada por místicos que são pessoas vistas como portadoras de patologias e que vivem à margem da realidade.

A alma é desacreditada por não ser encontrada no corpo humano e, por isso, é tratada como superstição ou mecanismo de defesa.

A alma é tida como ficção.

Porém, sem a consideração da existência da alma tudo fica um tanto obscuro quando falamos de moral, caráter, ética e aspirações elevadas.

As religiões que se afastam do papel de cuidar da alma acabam por se apresentar como caminhos de prosperidade e de realização pessoal através da afirmação social.

O que é alma

A alma para a psicologia e para o psicólogo


À psicologia cabe o importante papel de não desconsiderar a alma, pois ela caminha por um campo que transcende o que é estritamente científico.

Exemplo disto é a própria concepção da natureza psíquica do ser humano, sendo a personalidade algo não fisiológico e, portanto, tão incorpóreo como a própria alma.

Carl Gustav Jung, em sua obra: A natureza da psique (§ 232), afirma que:

[…] a alma humana vive unida ao corpo, numa unidade indissolúvel […].

Isto indica uma relação holística e caracteriza a necessidade de se não negar ou negligenciar a influência de um sobre o outro.

A psicossomática vem comprovando isto a cada dia.

Para expressar a influência da alma na personalidade e, assim, demonstrar a sua importância, seja na individuação, seja na evolução espiritual, cabe a explanação de Jung, na mesma obra:

A alma é o ponto de partida de todas as experiências humanas, e todos os conhecimentos que adquirimos acabam por levar a ela. A alma é o começo e o fim de qualquer conhecimento. Realmente, não é só o objeto de sua própria ciência, mas também seu sujeito. (§ 232).

Assim, cabe a compreensão de que tudo o que o ser humano toma consciência, ou seja, toma conhecimento, tem como origem e finalidade a sua alma e que, seja num processo de individuação ou de evolução espiritual, estará trilhando este caminho tendo como sujeito a sua alma.

Paulo Rogério da Motta