O psicólogo e a alma e o amor


O psicólogo e a alma… Eis uma simbiose necessária para que o encontro entre o profissional e o cliente seja vivido em essência!

A alma…

Psychè, alma…

Como podemos conciliar o psicólogo e a alma e o amor sob o enfoque da Psicoespiritualidade?

O psicólogo e a alma e o amor
O psicólogo e a alma e o amor

Vou começar com Jung!

Jung disse em memórias, sonhos, reflexões:

A alma é muito mais complexa e inacessível do que o corpo.

Poder-se-ia dizer que é essa metade do mundo não existente senão na medida em que dela se toma consciência.

Assim, pois, a alma não é só um problema pessoal, mas um problema do mundo inteiro e é a esse mundo inteiro que o psiquiatra deve se referir.

Provavelmente qualquer entendimento da alma não vai satisfazer o ego, pois ficará no campo da sabedoria intuitiva e não do conhecimento racional.

O ego explica, a alma intui.

O ego discrimina, a alma sente.

O ego foca, a alma permeia.

Viktor Frankl, o criador da Logoterapia, disse em seu livro “’ A presença ignorada de Deus”:

A psicoterapia inevitavelmente é sempre cura d’almas, de uma forma ou de outra, mesmo quando ela não o sabe ou não quer saber. […] faz parte das atribuições do médico, está inclusive na recomendação da American Medical Association:’ O médico também deve consolar a alma’.

A relação com a alma deve ser uma relação de curiosidade, respeito, observação, submissão, igualdade…

Para os que estudam a alma, como os psicólogos, a postura em relação à alma precisa ser cientificamente poética ou poeticamente científica.

E a percepção da alma é como a percepção do amor.

O amor, eis outro grande mistério, talvez porque se origine a partir de outro grande mistério: a alma.

Vamos com Jung mais uma vez:

Tanto minha experiência como minha vida pessoal colocaram-me constantemente diante do mistério do amor e nunca fui capaz de dar-lhe uma resposta válida.

Talvez, por isso, é que caíamos tantas vezes na cilada de procurar entendê-los egoicamente: a alma e o amor.

Definir o indefinível, dizer o indizível é apenas pretensão do ego, por isso os poetas não procuram descrever o amor, apenas mergulham nele e empiricamente o constatam.

Em seus versos expressam da melhor maneira possível, mas são cientes de que suas palavras são apenas expressões possíveis do amor e não o amor em si.

Sabem disso de tal forma que esse saber intuitivo concilia-se com a razão que, sabiamente, resigna-se.

Com a alma seria da mesma forma se o ego já tivesse obtido a sabedoria de resignar-se diante dela.

Mas se o ego consegue acreditar que é até Deus, por que não haveria de achar que é ele que tem alma e não o contrário?

Paulo Rogério da Motta


Vídeo: O psicólogo e a alma