O nascimento de Jung


O nascimento de Jung é o segundo artigo da série de seis artigos que contam a vida e obra de Carl Gustav Jung.

Neste artigo a infância e adolescência de Jung.

O nascimento de Jung

A vida e obra de Jung em seis artigos:


Parte 2

O nascimento de Jung

Período de 1875 a 1898


1875

Carl Gustav Jung nasceu no dia 26 de julho de 1875 no lago de Constança, em Kesswil, Suíça. Filho de Johann Paul Achilles Jung e Emilie Preiswerk .

Jung recebeu seu nome em homenagem ao avô.

Seu pai, Paul Achilles Jung, era um homem trabalhador, dedicado à família e, também, pastor luterano da Igreja Suíça Reformada.

Sua mãe, Emilie Preiswerk, sofria de distúrbios emocionais e tinha humor bastante instável.


1878

Sua mãe, Emilie Preiswerk, foi internada no Hospital de Friedmatt, para doentes mentais, na Basiléia, mesmo ano em que os pais de Jung tiveram uma separação temporária.

A relação do casal sempre foi tumultuada e chegava ao ponto de dormirem em quartos separados e Jung dormir no mesmo quarto do pai.


1879

A família de Jung se mudou para Klein-Hüningen.

Jung viveu uma infância muito voltada ao seu mundo interior.

Jung, por volta dos quatro anos de idade, viu um homem que morreu afogado no Reno e foi dito a ele que o Senhor Jesus o receberia e, em decorrência deste fato, sonha com um enorme falo subterrâneo sobre um altar.

Este sonho o acompanhou durante toda a vida como a representação de um arquétipo da fertilidade e da união corpo e espírito.

A morte era um tema que intrigava Jung e por muito tempo foi uma presença assustadora em sua vida.

Frequentemente morriam pescadores e Jung presenciava os ritos fúnebres celebrados pelos clérigos com suas vestimentas e chapéus pretos, e a mente do menino associava tais figuras sombrias com a própria morte e, consequentemente, estas figuras lhe inspiravam medo.


1881

Jung ingressou na escola primária e começou a estudar latim com seu pai.


1882

Jung foi acometido da doença de Crupe (que provoca dificuldade respiratória) e, ressalte-se que o menino Jung se sentia sufocado em seu ambiente familiar.

Jung buscava a solidão e criava seus próprios passatempos, inclusive, incomodando-se quando alguém interferia ou queria participar de seus jogos solitários.


1884

Em 17 de Julho nasceu sua irmã Johanna Gertrud que viveu até 1935.

Mesmo com o nascimento da irmã, Jung, ainda assim, preferia viver isolado e deu pouca importância ao seu nascimento.

Jung teve sonhos e experiências que não compartilhou com ninguém e em busca de isolamento, muitas vezes, refugiava-se no sótão da casa e sua companhia nestas ocasiões era um manequim de madeira que esculpira.

Jung praticava ritos e cerimoniais com seu manequim de madeira.

O companheiro de madeira de Jung era um cúmplice dos pactos secretos e pergaminhos escritos pelo garoto e escondidos no sótão, além de ser um confidente para seus segredos.

A religiosidade era algo bastante presente na vida de Jung, pois além de seu pai, oito de seus tios eram párocos.


1886

Aos onze anos de idade foi transferido para o Liceu de Basel, um grande colégio na cidade e lá passou a conhecer pessoas de uma classe social diferente da sua.

Os colegas de escola de Jung vestiam roupas elegantes e moravam em suntuosas mansões.

Jung, o filho de um pároco, invejava a vida de seus colegas e passou a ter consciência da vida pobre de sua família, fato que despertou o sentimento de compaixão por seu pai em razão da dedicação deste à família.

Embora lhe agradassem as companhias que a sua escola lhe proporcionava, Jung estava muito à frente de seus colegas, intelectualmente, e faltava-lhe, por isso, aquela intimidade compartilhada que só pode florescer numa base de igualdade.

Na sua solitária infância lia muito teologia e filosofia na biblioteca de seu pai. Interessava-se também por arqueologia.


1887

Jung sofreu um acidente em que bateu a cabeça e, por isso, teve que se ausentar da escola durante seis meses, chegando, inclusive, a ser internado em Winterthur para se recuperar.

Esta foi uma fase difícil da vida de Jung, pois sua mãe o constrangia por considerar estranho o comportamento do filho.

Esta, aliás, não foi a única situação em Jung esteve próximo da morte em sua infância, pois em outra situação ele foi salvo pela criada da família quando mergulhou da ponte sobre as cataratas do Reno.


1888

Johann Paul Achiles Jung se tornou capelão do Hospital Psiquiátrico Friedmatt em Basel.

O jovem e solitário Jung sofria conflitos internos entre sua mente analítica e a fé cega de sua família (principalmente seu pai).

Religião e ciência não se tocavam e isso inquietava Jung.

Da solidão forçada de sua infância tiraria ele, mais tarde, um bom proveito em sua autoanálise; mas, como tantos outros filhos únicos, Jung sentia-se diferente dos seus contemporâneos e, em certa medida, em choque com eles.


1891

Jung leu uma obra que lhe foi marcante: “O Fausto”, de Johann W. von Göethe que apresentava a figura de Mefistófeles que personificava a figura do diabo, possibilitando que Jung tivesse contato com a expressão do mal, que, futuramente, viria a ser tema de seus escritos sobre a dualidade de tudo, inclusive, o bem e o mal.

Sobre a existência do mal, outro autor que chamou a atenção de Jung foi Schopenhauer que falava do sofrimento humano e das misérias no mundo.

A filosofia era algo que o fascinava Jung, um jovem com privilegiada inteligência e erudição.

Jung via a escola como algo que o aborrecia, pois além de estar à frente de seus demais colegas de classe, preferia obter seu conhecimento sozinho, pois assim poderia dedicar seu tempo para estudar assuntos de seu interesse.

Jung, assim, era um jovem intelectual, introspectivo e com forte ligação à natureza.

A dualidade no pensamento de Jung também foi marcada por suas próprias experiências.

Jung carregava a sensação de que em sua psique viviam duas personalidades distintas que ela chamava de número 1 e número 2.

Estas personalidades se alternavam, sendo a primeira personalidade do garoto dedicada a sua vida social e a segunda era uma personalidade mais introspectiva com uma ligação com a Idade Média e que ensejava em Jung pensamentos reflexivos e proximidade com Deus.

O conflito entre estas duas personalidades permeou a vida de Jung e tal dualidade foi edificante nos personagens que estão presentes no Livro Vermelho e que Jung denominou de “espírito dessa época” e “espírito da profundeza”.


1895

Em 18 de Abril, Jung ingressou na Escola de Medicina, Universidade de Basel.

Jung viveu duas faces em sua juventude: uma externa e pública onde prevalecia a influência de sua família e a outra interna e secreta onde prevalecia sua espiritualidade e proximidade com Deus.

Em sua juventude interessou-se por literatura e filosofia, principalmente pelos pensamentos de Pitágoras, Empédocles, Heráclito, Platão, Kant e Goethe.

Jung concordava com o pensamento de Schopenhauer sobre o irracionalismo da natureza humana, porém discordava das soluções por ele apresentadas.


1896

Em 28 de Janeiro seu pai falece.

Segundo Jung, seu pai era “afável, tolerante e liberal”, porém, também, convencional e contentava-se em aceitar o sistema de crenças religiosas em que fora criado.

O pai não conseguia responder as duvidas e questionamentos do filho.


1898

A época universitária de Jung coincidiu a eclosão do espiritualismo e junto com seus colegas universitários, Jung participava de sessões espíritas e uma série de encontros com sua prima Hélène Preiswerk, sua prima de quinze anos. Isto foi determinante para a elaboração de sua futura tese de doutorado que abordava a psicogênese dos fenômenos chamados ocultos.

O assunto fascinava Jung que se interessou pelos trabalhos de Frederic Myers, Théodore Flournoy e pelo pensamento de William James.


Vídeo: A infância e adolescência de Jung


O nascimento de Jung