O Inconsciente Coletivo e a mitologia

O Inconsciente Coletivo abriga deuses, deusas e sagas.

A mitologia vive na história e na psique humana.

O inconsciente coletivo mostra que mitologizar é preciso!

O inconsciente coletivo e a mitologia

Mitologia e Psicologia


Nise da Silveira, na obra “Jung: vida e obra”, levanta uma questão:

Que significação poderá ter para o homem da era atômica a narração dos feitos de deuses nos quais ele não crê, ou das aventuras de heróis que os atuais astronautas ultrapassaram? Nenhuma, aparentemente. Entretanto os mitos continuam a fascinar.

O ser humano, independente do tempo e lugar em que vive, carrega necessidades básicas, tanto físicas quanto psicológicas, e os mitos, são expressões simbólicas dos padrões humanos, constituindo, desta forma, rica fonte para compreensão da dinâmica humana.

Jung, em sua obra: “A natureza da psique” diz:

O que podemos dizer sobre as imagens míticas é, em primeiro lugar, que o processo físico penetrou na psique claramente sob esta forma fantástica e distorcida e aí se conservou, de sorte que o inconsciente ainda hoje reproduz imagens semelhantes.

O inconsciente coletivo e a mitologia

A linguagem do Inconsciente Coletivo


Símbolos constituem a linguagem tanto dos mitos quanto do próprio inconsciente coletivo humano.

Jung, na mesma obra, diz que:

Os arquétipos são formas de apreensão, e todas as vezes que nos deparamos com formas de apreensão que se repetem de maneira uniforme e regular, temos diante de nós um arquétipo, quer reconheçamos  ou não o seu caráter mitológico.

Os mitos na Psicologia Analítica de Jung são as diversas faces dos arquétipos que povoam a camada psíquica que é comum a todos os seres humanos e onde todos os humanos são iguais: o Inconsciente Coletivo.

Passa o tempo, mudam as culturas e, no entanto, determinados enredos históricos continuam a se repetir demonstrando padrões de comportamento que permeiam a história tanto individual quanto coletiva do ser humano.

James Hollis, em sua obra: “Rastreando os deuses: O lugar do mito na vida moderna”, diz:

O mito nos leva até o fundo das reservas psíquicas da humanidade. Sejam quais forem nossas raízes culturais e religiosas, ou nossa psicologia pessoal, a familiaridade com os mitos proporciona um elo vital de ligação com o significado, cuja ausência está, tão amiúde, por trás das neuroses individuais e coletivas de nosso tempo. Em resumo, ao estudar mitos estamos em busca daquilo que nos vincula mais profundamente à nossa própria natureza e ao nosso lugar no cosmo.

Seja ao comermos a maçã do paraíso feito Adão e Eva ou ao tentarmos roubar o fogo dos deuses feito Prometeu; seja ao repetirmos o conflito de Édipo ou ao adentrarmos labirintos para matar a fera, feito Teseu; o que se reafirma é o enredo de histórias comuns a todos.

Cada ser humano é único e, por isso, escreve uma história que é singularmente sua, mas, por sermos todos humanos e compartilharmos um Inconsciente Coletivo, cada história singular de cada ser humano único é, ainda assim, permeada de enredos que são comuns a todos.

Há enredos que falam de um autor cuja imagem e semelhança fomos feitos e outros que falam de uma aventura de alguém que voa em direção ao sol com asas com penas coladas com cera.

O fato é que cada ser humano escreve de jeito novo uma velha história que já estava escrita em sua alma.

Maktub.

Paulo Rogério da Motta