O ego na prática clínica


O ego na prática clínica é um tema que demonstra que não se é possível criar um método geral para tratamento de qualquer cliente.

O indivíduo é único.


O ego na prática clínica

Toda experiência humana é vivida psiquicamente e o agente da consciência é o ego, desta forma, o ego é o centro da consciência.

Qualquer experiência humana é vivenciada de forma psíquica, seja de que natureza for e independente de ser uma experiência no mundo que está à nossa volta (mundo externo) ou no mundo que há dentro de nós (mundo interno).

Desta forma, consciência significa estar ciente e, no caso do ser humano, também, estar ciente de si mesmo, ou seja, o ser humano possui autoconsciência.

Esta autoconsciência é um grande mistério e paradoxo da consciência, pois indica um poder reflexivo da psique de se olhar num espelho e se enxergar como uma imagem separada.

O ego ao perceber a própria existência percebe-se como um sujeito e que ele existe em um ambiente rodeado de objetos e de outros sujeitos.

Socialmente, o ego é o ponto de partida para tudo e psiquicamente o ego é a ponte entre o mundo externo e o mundo interno do indivíduo.

O ego é o organizador da mente consciente e desempenha o papel de vigia da consciência ao selecionar e determinar quais conteúdos do inconsciente poderão chegar até a consciência.

Assim, o ego é extremamente seletivo a fim de assegurar a segurança da consciência.

Na prática clínica, portanto, é fundamental o desenvolvimento do ego, pois somente um ego vigoroso, responsável e ético terá condições de promover um confronto com o inconsciente.

Caso não seja possível ou não sejam conseguidas condições para o ego confrontar-se com o inconsciente, a psicoterapia se baseará numa terapia de apoio de adequação do cliente às situações específicas sem, no entanto, promover transformações profundas e um efetivo desenvolvimento do ego.

Sempre oportuno destacar que cada indivíduo é único e esta singularidade é o que faz com que não se tenha um método geral para tratamento de todos os clientes. Cabe ao psicólogo respeitar a unicidade de seu cliente e descobrir os limites de seu ego.

Paulo Rogério da Motta