O dualismo corpo e alma

Corpo e alma se tornaram coisas distintas dentro de um ser que é um só.

A natureza humana foi fragmentada e os dualismos foram tidos como opostos e não como complementos.

O dualismo corpo e alma

O dualismo corpo e alma


O estudo da alma humana ou da verdadeira natureza essencial humana tem sua origem nas tradições milenares orientais, esteve presente na antiga filosofia grega e alcançou a Europa no século XIX, data também do surgimento da psicologia.

O dualismo corpo e alma atribuído a Platão (século IV a.C.) parte da concepção de que no começo de tudo havia as ideias numa divindade incorpórea e eterna e então protótipos ou formas ideais caíram na matéria e então se deu a composição do universo.

O dualismo atribuído a Platão talvez seja exagerado, mas a ideia do filósofo acabou por influenciar e ainda influencia eminentes culturas até nossos dias atuais.

Na filosofia moderna, Renè Descartes no Tratado das paixões e em outros escritos propôs um método analítico onde a divisão da dificuldade faria com que se chegasse às evidências, a conceitos simples e claros.

Hubert Lepargneur, em sua obra: Consciência, corpo e mente: psicologia e parapsicologia, comenta que Descartes estabeleceu uma oposição exagerada entre a “a coisa pensante” (o espírito ou a alma) e a “coisa estendida” (a matéria, o corpo) que culminou num dualismo cartesiano e o corpo passou a ser visto como uma máquina sofisticada que se une inexplicavelmente à mente.

A ciência moderna fez da razão consciente aquela que determinava a sua conduta, porém a concepção de inconsciente fez com que fosse necessário um movimento de transformação em sua forma de ser e agora uma nova revolução se faz necessária: a de não mais se negligenciar o espírito do homem.

O dualismo corpo e alma

Objetivo x Subjetivo


A teoria científica e o dogma religioso são exemplos da incompatibilidade da ciência com o espiritual.

O racionalismo científico acaba por ser um ótimo argumento que satisfaz os que buscam o entendimento somente pelo intelectualismo, pois a teoria científica é estritamente racional, ao passo que o dogma religioso em sua imagem é irracional.

O dogma religioso constitui uma expressão da alma e a teoria científica é elaborada exclusivamente pela consciência.

A cultura ocidental de maneira trágica ocasionou a ideia de separação de corpo e alma que, por fim, fez surgir de um lado uma cultura materialista baseada exclusivamente no corpo e do outro lado uma cultura espiritualista baseada exclusivamente no espírito e ao que é subjetivo.

A unidade humana foi fragmentada e corpo e alma são tratados como opostos:

  • De um lado assenta-se o que é objetivo, material, ligado aos sentidos, ao desfrute e utilização das coisas para o benefício e satisfação do ser humano.
  • Do outro lado o que é subjetivo, imaterial, ligado às ideias, projeções e teorias e alienado da luta cotidiana e comum do homem.

O pensamento ocidental movido pela rigidez científica e o pensamento oriental movido pela imaginação criativa viraram polos opostos e perdeu-se o cerne que é a verdade e, ressalte-se, ambos buscam a mesma coisa.

A ciência no ocidente procura representar o papel da consciência, porém a sabedoria oriental não pode ser menosprezada, pois esta se baseia no conhecimento empírico.

A conciliação do pensamento ocidental e do pensamento oriental propiciaria uma visão mais ampla do homem que deixaria de ser concebido como produto de uma evolução acidental ou como fruto de uma criação divina.

Joseph B. Fabry, em sua obra: A busca do significado, diz que a redução do homem a uma máquina que atua na vida por meio de reflexos condicionados ocasiona o perigo das ciências biológicas enxergarem o homem como um ser programado por sua estrutura genética e determinado por suas funções fisiológicas, ou então as ciências sociais terem o homem como o resultado de manipulações sociais e econômicas, ou ainda a psicologia conceber o homem como produto de processos de condicionamento e uma peça manipulada por impulsos e instintos.

O homem é visto e estudado através de linhas de pensamento, mas a visão dirigida ao homem de maneira fragmentada culmina por negligenciar a unidade e plenitude de sua natureza.

Tereza Cristina Saldanha Erthal, no capítulo: A luz da sabedoria na psicoterapia, da obra: Espiritualidade e Prática Clínica, explica essas linhas de pensamento:


A linha de pensamento materialista

Concebe como real e verdadeiro o que pode ser demonstrado e testado e que a matéria e a força é que compõem a realidade humana e que o homem não pode ir além delas.


A linha de pensamento do espiritualismo

Indica o contrário e a aparência das coisas não reflete a verdade delas e afirma que há algo mais do que aponta o materialismo.


A linha de pensamento idealista

Aponta que existe um processo evolutivo que está presente em tudo o que se manifesta; os introspeccionistas enfatizam a consciência e a percepção e os mentalistas consideram a ideia que a atividade psíquica é mais do que uma atividade física do corpo e do cérebro e que esta atividade é proveniente da mente, espírito ou consciência.


Durante muito tempo a alma foi tida como produto do corpo e o corpo, por sua vez, foi tido como combinações casuais dos elementos da natureza.

A psicologia, em concordância com a medicina, deu ênfase ao fisiológico e ao corpo como causa e, portanto, objeto exclusivo de investigação e foi restringida qualquer visão espiritualizada.

Às religiões cabia lidar com a subjetividade da natureza espiritual do ser humano e as religiões sofriam a influência dos dogmas propiciando a ignorância e a fé cega.

Atualmente novos paradigmas conciliam a subjetividade ao científico e o conhecimento hoje é aliado à interdisciplinaridade.