O bem e o mal na psique

O bem e o mal não são absolutos e são realidades psíquicas.

Todo julgamento da psique passa pela consciência e o bem e o mal são fontes de conflitos.

O bem e o mal na psique

O bem e o mal na psique


Um relâmpago ao atingir uma pessoa e a matar não pode ser definido como bondoso ou maldoso, ao passo que um ser humano ao matar outro será julgado moralmente por isso.

Algo para ser bom ou mau precisa ser concebido psiquicamente como bom ou mau.

Logo bem e mal são frutos do julgamento humano.

O bem e o mal, por serem realidades psíquicas, não são absolutos, pois como realidades psíquicas eles são percebidos e interpretados pelo ser humano.

Sendo o bem e o mal realidades psíquicas e serem interpretações psíquicas eles são configurados pela religião e pela cultura que determinam os valores vigentes no contexto e tempo em que vive o ser humano.

Todo julgamento da psique passa pela consciência, a consequência disso é que bem e mal promovem o conflito da consciência.

Aqui podemos entender a expressão “peso de consciência”!

Esse conflito de consciência, muitas vezes, é intensificado por códigos morais e religiosos vigentes que destoam do código interno do indivíduo, isto é, a sua ética.

A voz coletiva prega determinados valores de sentimento que são conflituosos com o que diz a voz interna do indivíduo.

E essa voz interna vem do inconsciente.

O bem e o mal na psique

A voz interna


De quem é essa voz interna?

Quem escreveu o código de ética psíquico do indivíduo?

O self.

A voz exterior tem que ser ouvida, afinal, viver é também um ato de adaptação ao mundo em que vive o ser humano.

Mas a sua voz interna precisa, deve ser ouvida e levada a sério.

A questão entre o bem e o mal envolve não apenas a consciência, mas também o inconsciente.

E há que se ressaltar que o self é o centro, totalidade e ordenador da psique. Sua voz não pode ser desprezada.

O self é o arquétipo que organiza e dá ordem e unidade à psique e a autorrealização humana depende do conhecimento do self e de uma relação harmoniosa com este arquétipo.

É através do desenvolvimento do self que o homem aumenta sua percepção, consciência e compreensão de sua própria vida.

Há, portanto, que se considerar que o self mesmo sendo a expressão da totalidade psíquica, ainda assim, não pode subtrair o mal da existência humana.

O mal é realidade psíquica e faz parte da totalidade humana.

A presença do mal no ser humano é característica que o faz ser um ser humano, pois todos os demais seres não carregam em si a capacidade de julgar se algo é fruto de bondade ou de maldade.

Somente o homem é capaz de fazer julgamentos morais e/ou éticos e oscilar o seu viver entre o bem e o mal carregando dentro de si luz e trevas.

Paulo Rogério da Motta

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