O arquétipo da Sombra e o Fantasma da Ópera


O arquétipo da Sombra e o Fantasma da ÓperaO Fantasma da Ópera é uma história escrita por Gaston Leroux e que foi publicada em 1911. O título original em francês é “Le Fantôme de l’Opéra”.

A obra de Leroux saiu das páginas do livro.

O Fantasma da Ópera é um dos mais populares e um dos mais vistos musicais da Brodway e sendo aquele que tem o maior tempo em cartaz, superando até mesmo Cats.

Este musical da Brodway também foi para a tela dos cinemas.

O arquétipo da Sombra e o Fantasma da Ópera

O Fantasma da Ópera e a Sombra


Arquétipos são padrões próprios e latentes do psiquismo do ser humano e que necessitam das experiências pessoais para serem ativados.

Os arquétipos representados no filme O Fantasma da Ópera são presenças vivas e atuantes no psiquismo humano e, desta forma, o enredo do filme se constitui num mapa de percepções do enredo de vida de todo ser humano.

O arquétipo em questão na presente análise é a sombra.

O trecho do filme analisado é o que o Fantasma da Ópera leva Christine para sua morada subterrânea para, enfim, conhecê-lo.

O arquétipo da Sombra e o Fantasma da ÓperaChristine é uma talentosa soprano que começa a despontar no Teatro Populaire de Paris. A moça é secretamente ensinada a cantar por uma figura misteriosa que vive no calabouço do teatro: o Fantasma da Ópera.

Assim como a sombra é confinada no calabouço do psiquismo, o Fantasma da Ópera vive confinado no calabouço do teatro, atuando no subterrâneo do teatro, assim como a Sombra atua nas profundezas da psique.

O trecho do filme em que o Fantasma leva a jovem Christine até sua morada subterrânea mostra que a sombra pode tanto ser a presença de um mago branco como também a de um mago negro na psique.

As duas possibilidades: a do mago branco e do mago negro são representadas pelo Fantasma, pois ele tanto protege quanto oferece perigo à personagem Christine e isto demonstra a possibilidade da sombra ser positiva ou negativa.

Christine acredita que o Fantasma é um anjo protetor designado por seu falecido pai que simbolicamente lhe presenteia com as chaves do paraíso do mundo artístico.

A cena se inicia com as velas do quarto de Christine se apagando e aqui é possível interpretar as velas como a luz da consciência que é apagada para que a moça tenha contato com o que está nas profundezas do inconsciente. 

Ainda neste trecho, O Fantasma representa a sombra de Christine e ele critica Raoul, referindo-se a ele como o “garoto insolente” e “escravo da moda” que faz com que Raoul seja a personificação da persona para ele, que na Psicologia Analítica é o arquétipo que surge para atender às idealizações do ego que é representado por Christine.

A persona e a sombra são opostos polares e quanto mais luz houver sobre a persona, em contrapartida, mais escuridão haverá sobre a sombra.

Vale destacar algumas frases da música cantada por Christine e o Fantasma. Christine canta: ”No sono, ele cantou para mim. Nos sonhos ele veio”.

Christine personificando o ego tem contato com qualidades que precisam ser integradas e como exemplo pode-se perceber que seu talento para cantar é uma qualidade reprimida que ela se apropria ao ter contato com o Fantasma que personifica sua sombra.

Christine canta: “Aqueles que viram o seu rosto retiraram-se com medo”.

E não há crescimento e individuação se assim não for. O contato, mesmo que difícil, com o aspecto sombrio da personalidade é fundamental na busca da totalidade.

O Fantasma canta: “Esconda os seus pensamentos da fria e insensível luz e ouça a música da noite. Feche os olhos e entregue-se aos seus mais obscuros sonhos. Afaste os pensamentos da vida que conhecia até agora”.

Esta passagem do filme mostra a atuação do arquétipo sombra pedindo para que Christine abrisse mão da fria luz da consciência e se entregasse ao que era obscuro, ou seja, ao que estivesse à margem da luz da consciência. Surge aqui o paradoxo da luz que surge da escuridão.

E há que se entender que apenas ter contato ou se entregar ao lado obscuro da personalidade não é o caminho, é preciso que a sombra seja integrada.

Integrar a sombra consiste na percepção de sua existência, num diálogo com esta e, assim, a sombra passar a ser um recurso a mais da psique para atuação do indivíduo na vida.

Somente o conhecimento da presença da sombra na psique fará do indivíduo um mero espectador de seu lado sombrio e a entrega à sombra fará do indivíduo um alguém movido por seu lado sombrio.

E mais pode ser analisado e considerado no fascinante filme “O Fantasma da Ópera”. Fica o convite para que você veja ou reveja o filme. Este é um daqueles filmes para se ver mais de uma vez!

As figuras do Fantasma da Ópera e de Christine são presenças vivas em nossa psique e lá cantam a música da noite.

Paulo Rogério da Motta


O arquétipo da Sombra e o Fantasma da Ópera


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