O arquétipo da criança

O arquétipo da criança é relacionado ao que é novo e carrega todas as características de uma criança concreta.

É um arquétipo fundamental para lidar com a criança e consigo mesmo.

O arquétipo da criança

A “ideia” humana


O que acontece precisamente naquele momento, naquele lugar onde a “ideia” humana se encarna no indivíduo humano?

Nascemos humanos, mas não nascemos apenas biologicamente humanos.

Nascemos, também, “psicologicamente” humanos.

Este nascer psicologicamente humano é o que nos torna “essencialmente” humanos.


Vídeo: O nascimento humano


Essencialmente humano

É possível imaginar que há uma “ideia” humana básica, uma forma essencial de humanidade que subjaz a cada existência individual humana.

Assim como numa semente de maçã há uma macieira; há no feto humano uma natureza humana.

Muito embora essa forma, ou ideia, tenha levado milhões de anos para se desenvolver, ela é incorporada de novo como uma impressão universal em cada criança ao nascimento, e é a base para a organização da maturação e do desenvolvimento daquela criança.

É como se a natureza, ou um “ser criador do universo”, carregasse dentro de si a ideia preexistente de todas as espécies e, desse modo, também da espécie do Homo sapiens, que, na tradição judaico-cristã, é expressa por meio da representação de um Deus que criou o homem à sua imagem e semelhança.

Jung se sentiu compelido a aceitar que há forças altamente ordenadas e potentes que se manifestam nos padrões de comportamento do ser humano.

Jung denominou estas forças potentes como “arquétipos”.

O arquétipo da criança

O arquétipo da criança e a criança


Primeira coisa a ser dita é que a criança arquetípica ou simbólica precisa ser diferenciada da realidade concreta das crianças reais sempre que possível, principalmente, para pais, professores, terapeutas, etc.; ou seja; para todos que lidam com crianças.

Para o adulto compreender o mundo da criança, é imperativo ele entrar em contato com seu próprio lado infantil e adquirir consciência das suas necessidades.

Para lidar com excelência com crianças é essencial a conexão do adulto com o arquétipo da criança, pois é este que possibilitará a compreensão e a capacidade de encontrar prazer com elas.

A boa relação com o arquétipo da criança traz benefícios e a má relação com este arquétipo pode ser perigosa porque a projeção do arquétipo da criança pode ter efeitos muito pesados sobre a criança real.

Como pode a criança desapontar as expectativas, em particular desses adultos “carinhosamente amorosos”?

Trata-se, geralmente, da projeção da criança inconsciente do adulto.

Mas o arquétipo da criança é fundamental não somente para se relacionar com as crianças concretas, o arquétipo da criança é essencial para lidar consigo mesmo.

O arquétipo da criança

O arquétipo da criança e o adulto


O arquétipo da criança carrega todas as características de uma criança concreta.

O arquétipo da criança é relacionado ao que é novo e, por isso, crianças podem ser assustadoras para algumas pessoas que são resistentes a mudanças.

As crianças vivem a “vida de criança” e suas experiências são vividas com seus sentimentos infantis.

Há emoções, pensamentos, fantasias e impulsos infantis na criança, porém, ao se falar do arquétipo da criança estamos falando de todo ser humano e não apenas da criança concreta.

O arquétipo da criança pode assumir os mais diversos sentidos simbólicos que influenciam o comportamento humano: birra, ciúmes, carência, dificuldade de fazer escolhas, dependência, etc..

O arquétipo da criança manifesta-se no adulto inúmeras vezes e pode ser dominante em algumas situações, como, por exemplo, com as pessoas que foram separadas de forma muito radical de suas raízes infantis ao longo do curso da vida ou para compensar ou corrigir nos casos das pessoas com natureza unilateralmente adulta.

A desconexão do adulto com o arquétipo da criança impossibilita a relação simpática com a criança concreta e também com as características da criança interna de cada um.

Atender as demandas da criança externa ou da criança interna somente é possível com a convivência simpática com o arquétipo da criança.

Portanto…

Vinde a mim a criança em mim, pois é dela o reino do self.

Paulo Rogério da Motta


Vídeo: Toquinho – Aquarela

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