A mitologia somática de Stanley Keleman


A mitologia somática de Stanley Keleman diz que a fonte dos mitos está em nós e corporificada em nós.

O corpo é o próprio universo e nele estão os deuses e as forças da natureza.

A mitologia somática de stanley keleman

A mitologia somática de Stanley Keleman


Stanley Keleman, o criador da Psicologia Formativa, diz que “a imagem mítica é o corpo falando a si mesmo de si mesmo”.

Por esta abordagem corpo e mente não se dissociam.

O nosso corpo é a nossa história e a compreensão de nossas experiências se dá quando aprendemos com os mitos.

Nosso corpo é um registro e um processo vivo de quem somos e do que vivemos que continuamente se organiza e corporifica tudo o que é experienciado.

A origem da vida no imenso oceano, a evolução com o surgimento dos quadrúpedes e o aparecimento do homem bípede é o roteiro da nossa trajetória:

  • O útero é o oceano primordial
  • A fase quadrúpede são os anos iniciais da vida quando o ser humano engatinha como bebê
  •  A evolução para o homem bípede é quando através do aprendizado o ser humano aprende a caminhar com suas pernas

E com o caminhar prossegue a evolução com o ser humano podendo a partir daí fazer escolhas, direcionar seus caminhos e fazer uso do livre arbítrio.

A mitologia somática de Stanley Keleman

A trajetória da vida inserida em nosso soma


Stanley Keleman no livro “Mito e Corpo, uma conversa com Joseph Campbell” diz:

“[…] a serpente da mitologia é a medula espinhal, e o bico da ponte do tronco cerebral, sua cabeça. O córtex é o lótus de mil pétalas, a coroa de espinhos”.

O ser humano nunca aceitou o desconhecido, sempre procurou dar um fundamento ao que não entendia.

As sagas de heróis, a cosmologia e até mesmo fundamentos de religiões são formas de lidar com o desconhecido e de associar o mundo externo ao seu mundo interno.

O mito seria essa conexão do interno ao externo e a fonte dos mitos está em nós e está, também, corporificada em nós.

Todas essas histórias estão associadas ao nosso self corporal.

Nossos processos emocionais e somáticos estão sempre em coerência, a mente e o corpo não se dissociam, vida subjetiva e vida somática estão e são unificadas.

As histórias que contamos são expressões de nós mesmos, o mito é a expressão da nossa voz interna e o nosso corpo é o livro onde acontece e é registrada.

Na Grécia antiga o panteão de deuses representava padrões de comportamento do homem, eram seres poderosos antropomórficos que regiam características da natureza humana e da natureza em si.

Na astrologia encontramos associação dos signos com o corpo humano.

Vemos nos mitos a associação das forças naturais com a natureza humana, os deuses como representações da natureza humana, e toda essa necessidade de associar tudo com o que somos é a força natural da mitologia que há em nós, é a nossa voz interna fazendo de nós mesmos a referência de tudo.

O homem para compreender precisa associar, ter referência e não há melhor referência para o homem do que ele mesmo.

Ao associar o desconhecido consigo mesmo o homem atende ao apelo da sua mitologia interna e qualquer história é uma história que também é vivida em si mesmo.

O corpo é o próprio universo e nele estão os deuses e as forças da natureza.

Paulo Rogério da Motta


Veja também…

Vídeo: Mitos e Símbolos


Referência

KELEMAN, S. Mito e corpo: Uma conversa com Joseph Campbell. São Paulo: Summus, 2001.