O mito e o ser humano

O mito coube ao homem do passado e é fundamental para o homem atual.

Como disse Campbell: Os mitos são sonhos públicos, os sonhos são mitos privados.

O mito e o ser humano

O mito e o ser humano


Mircea Elíade, em sua obra: Mito e realidade, aponta algumas características dos mitos em relação à forma em que eles podem ser vivenciados.

O autor diz que os mitos podem ser considerados como:

  • Histórias dos atos dos Entes Sobrenaturais
  • História verdadeira e sagrada
  • História da criação, isto é, como algo veio à existência, como padrões de comportamento foram instaurados, como instituições surgiram, portanto, são considerados como a ideia principal dos atos humanos significativos
  • Histórias que por contarem a origem das coisas oferecem o meio de lidar com elas e até de manipulá-las, ou seja, oferecem o poder mágico; e
  • Histórias que permitem reviver e reatualizar eventos significativos, possibilitando, assim, o contato com o sagrado.

O mito, portanto, permite a vivência do sagrado, o contato com o transcendente e a significação de atitudes cotidianas.

O mito torna o mundo um espaço para o sagrado e a vida é um constante ato de religação com o sagrado.

O ser humano deixa de viver apenas no tempo cronológico e passa a levar a sua vida também no tempo psicológico.

Os ritos e cultos religiosos se estruturam encima de vivências míticas.

Todos que entram num templo, igreja, sinagoga ou qualquer espaço religioso esperam viver experiências míticas.

Bronislav Malinowski, em sua obra: Myth in Primitive Psychology  (1926), fala de funções dos mitos para as sociedades primitivas, mas, considero que as funções citada pelo autor são apropriadas ao ser humano atual também.

Malinowski diz:

O mito, quando estudado ao vivo, não é uma explicação destinada a satisfazer uma curiosidade científica, mas uma narrativa que faz reviver uma realidade primeva, que satisfaz a profundas necessidades religiosas, aspirações morais, a pressões e a imperativos de ordem social,  e mesmo  a  exigências  práticas. 

Nas civilizações primitivas, o mito desempenha uma função indispensável:

 

  • Ele exprime, enaltece e codifica a crença;
  • Salvaguarda e  impõe  os  princípios  morais; 
  • Garante  a  eficácia  do  ritual  e  oferece  regras práticas para a orientação do homem.

 

O mito, portanto, é um ingrediente vital da  civilização  humana;  longe  de  ser  uma  fabulação vã,  ele  é  ao  contrário  uma realidade  viva,  à  qual  se  recorre  incessantemente;  não  é  absolutamente  uma teoria  abstrata  ou  uma  fantasia  artística,  mas  uma  verdadeira  codificação  da religião primitiva e da sabedoria prática.

 

O mito e o ser humano

Paulo Rogério da Motta