Medo e desejo na Psicanálise


A mente humana é condicionada ao desejo.

Temos em nossa memória conteúdos que nos são agradáveis e conteúdos que nos são desagradáveis.

Os conteúdos que nos são agradáveis queremos reviver. Este é o desejo.

Os conteúdos que nos são desagradáveis queremos evitar. Este é o medo.

Há então uma dualidade no funcionamento mental do ser humano: medo e desejo.

Medo e desejo na Psicanálise


Medo e desejo na Psicanálise

Ressalte-se que o medo acaba por também ser uma forma de desejo.

Pois o desejo provém de conteúdos agradáveis de nossa memória e temos o “desejo” da atrair situações em que podemos reviver o que consideramos agradável.

E o medo provém de conteúdos desagradáveis de nossa memória e então temos o “desejo” de repelir (evitar) situações semelhantes.

Mas para não criar confusão vamos trabalhar com as expressões de “desejo” para a busca de reviver conteúdos agradáveis da memória e “medo” para o de “evitar” reviver conteúdos desagradáveis de nossa memória.

Desejo então vem a ser esse movimento da mente que quer reviver um momento do passado no futuro, pois se trata de algo que queremos que aconteça e não de algo que já está acontecendo.

Aqui cabe então percebermos que desejo e prazer são coisas distintas, embora, no uso popular muitas vezes sejam usadas como sinônimos.

O desejo é algo que se quer que aconteça e o prazer é algo decorrente do que já está acontecendo.

Ampliando agora o tema podemos conceber que:

Medo e prazer então são como as duas faces de uma mesma moeda chamada desejo.

  • Exemplo: o “desejo” de reviver um prazer do passado é um lado da moeda e o “desejo” de evitar que uma dor se repita é o outro lado da moeda.

E ambos (prazer e medo) estão intimamente ligados, pois  não existe prazer eterno e, portanto, todo prazer tem fim e o fim do que é bom gera a dor que é o que tanto queremos evitar.

E o medo é tanto maior quanto maior for a quantidade de experiências dolorosas que temos armazenadas em nossa memória.

Isso explica porque os jovens, geralmente, são mais ousados ou irresponsáveis, afinal, carregam uma quantidade menor de experiências dolorosas.

Os idosos, por sua vez, carregam, geralmente, uma quantidade maior de experiências dolorosas e, por isso, são tidos como defensivos ou mais precavidos.

O ser humano se utiliza de mecanismos de reação ou defesa  em virtude do desejo de não repetir situações que estejam associadas a conteúdos desagradáveis de sua memória.

  • Exemplo: uma pessoa pode reagir com a seguinte frase diante da notícia da morte de alguém querido: “Não, isso não é verdade! Você está brincando, não é?”.

O ser humano utiliza os mecanismos de defesa em razão do apego.

  • Se tem apego a um desejo cria mecanismos de defesa para atrair a realização do seu desejo.
  • Se tem apego a um medo cria mecanismos de defesa para repelir a realização de determinadas situações.

Gandhi nos disse: a força não provém da capacidade física e sim de uma vontade indomável.

Assim a “vontade” pode nos fazer “fortes” para que não sejamos movidos na vida apenas pelos desejos, sejam eles de prazer ou de medo e a “consciência” é quem pode direcionar a vontade.

Por isso autoconheça-se para saber suas reais vontades e direcionar sua vida conscientemente.

“A felicidade não é a ausência de problemas, mas a capacidade de lidar com eles.” (Frank A. Clark)