Matemática do amor


A matemática do amor faz parte da vida dos mais de sete bilhões de pessoas no mundo.

Alguém quer se somar a alguém e ser um sendo dois.

Mas a conta pode fechar em zero!

Matemática do amor

Matemática do amor


Para não se estar só é necessário que alguém seja “alguém” para alguém.

Ficou confuso?

Estar sozinho com alguém dói tanto ou mais do que estar sozinho sem ninguém.

Vamos colocar isso em números!

Para não se estar sozinho é necessário mais que um.

É necessário um que esteja com mais um.

Na matemática 1 + 1 é igual a 2.

Na matemática do amor 1 + 1 pode ser igual a zero.

Catherine Bensaid, na obra: O essencial do amor: As diferentes faces da experiência amorosa, diz:

[…] a busca inquieta por um amor que se limita a curar nosso medo da solidão condenar-nos-ia a ficarmos sós.

Se ainda não conseguimos ser um, como poderemos ser dois?

É um caminho perigoso procurar fazer do amor a solução para o medo da solidão.

O medo da solidão pode fazer com que se incorra numa equivocada estratégia, muitas vezes inconsciente, de querer tornar o outro naquele que se quer e isto é fazer com que o outro deixe de ser ele mesmo.

Mais números!

Existem mais de 7 bilhões de pessoas no mundo e nenhuma é igual a outra, mas…

Existem pessoas que se perguntam:

Por que ele(a) não é igual a mim?

Matemática do amor

Cada ser humano é único e por isso cada um carrega sua própria vida, assim como carrega seu próprio amor e assim como carrega a sua própria solidão.

Antes de ser único para alguém há que se reconhecer a própria unicidade.

O medo da solidão é efeito colateral da carência.

E quando carece alguma coisa é porque está faltando e quando se falta algo não se está inteiro.

O que não é inteiro é menos que um.

Quando a carência é total é zero à esquerda então!

Por isso que numa relação baseada na carência 1 + 1 pode ser zero.

Há tanta carência que não há o que se oferecer, o que se somar…

Quando existe a carência, mas ela não é aguda, mas é crônica, a matemática do amor pode funcionar como a ideologia numericamente romântica de que no amor dois é como um.

Para esta conta fechar cada um teria que ser meio!

Assim se teria meio mais meio é igual a um inteiro.

É aquela relação que para se sustentar cada um tem que abrir mão de parte de si mesmo e não falo aqui das perdas naturais e sábias para que uma relação tenha êxito como perda de egoísmo, por exemplo.

Falo de abrir mão de partes essenciais que constituem o jeito de ser de alguém como, por exemplo, abrir mão de seus sonhos para sustentar a relação com alguém.

Indivíduo significa não dividido!

Quando alguém deixa de ser um ele abre mão de ser si mesmo!

Portanto, ame, mas não se divida.

Doe-se sim mas sem se dividir porque o resultado é que isso com o tempo dói.

Dói muito não ser quem se é, pois quando não se é quem se realmente é então se é uma farsa e a farsa de alguém resulta em amor falso.

Na matemática do amor 1 + 1 é igual a 1, desde que o resultado 1 seja de 1 par.

Um ao lado do outro.

Caminhando juntos.

Como dois distintamente iguais ou igualmente diferentes porque já vimos que cada é único.

A matemática do amor faz com que existam mais de 7 bilhões de pessoas únicas no mundo, mas nenhuma é mais e maior do que o ser que é amado.

Matemática do amor

Paulo Rogério da Motta


Vídeo: O que significa Amor?