Malba Tahan: Deus é infinito


Malba Tahan nos conta a história de um imperador romano que falou que queria ver o Deus de um sábio rabino.

A história mostra o que Jung queria dizer com numinoso.

Malba Tahan - Deus é infinito

Malba Tahan


Malba Tahan é o heterônimo de Júlio César de Melo e Sousa, escritor e matemático brasileiro.

O heterônimo que Júlio César de Melo e Sousa utilizava era, na verdade, o de Ali Iezid Izz-Edim ibn Salim Hank Malba Tahan, mas, por motivo óbvio, ficou popularmente conhecido como Malba Tahan.

Malba Tahan é conhecido por seus livros de recreação matemática e, principalmente, por seus livros de fábulas e lendas passadas no Oriente.

O livro mais famoso de Malba Tahan é “O homem que calculava”.

Malba Tahan - Deus é infinito

O numinoso


Jung utilizava a expressão “numinoso” e até hoje ela é algo de difícil compreensão para quem a encontra nas obras de Jung.

Numinoso é um termo que descreve pessoas, situações ou coisas que promovem profunda ressonância emocional e psicologicamente associadas à experiências do self.

A palavra deriva do latim numinosum e é algo que independe da vontade consciente, ou seja, o assolamento é característica da numinosidade e é comumente utilizada nos ensinamentos religiosos.

O numinoso é algo que “acontece” e não há como algo ser numinoso deliberadamente.

Malba Tahan com seu conto: Deus é infinito” nos dá uma amostra do que Jung queria dizer com “numinoso”.

O imperador romano Adriano queria deliberadamente ver Deus, porém Deus somente poder ser percebido de forma numinosa.

Aprecie o conto do incomparável Malba Tahan!

Malba Tahan - Deus é infinito

Malba Tahan: Deus é infinito


Pode o homem — com sua inteligência limitada — conceber Deus Infinito?

Os conhecimentos que temos dos atributos divinos são imperfeitos, analógicos e feitos mais de negações que de afirmativas.

Essa verdade o Talmude evidencia ao recordar um episódio famoso:

Adriano, imperador romano, chamou um dia o rabino Josué ben Nanya e disse-lhe com precipitada vivacidade:

— Quero ver o Deus de que falas!

— Impossível! — contrariou o sábio, revestindo ares de maior seriedade.

— Para César o impossível não existe — atalhou impaciente o soberano, com ar de enfatuada segurança.

O rabino conduziu o orgulhoso e obstinado imperador até à varanda do palácio e pediu-lhe que fitasse o sol durante alguns instantes. Pouco faltava para o meio-dia; a luz incomparável se derramava, como um dilúvio ardente, sobre a terra.

— Não posso olhar para o sol! — confessou, afinal, o romano, levando a mão aos olhos, ofuscado pela luz.

Com palavras pausadas, mas cheias de autoridade, concluiu o rabi:

— Não podeis olhar para o sol, que não passa, afinal, de uma insignificante estrela do céu! Como quereis pôr os vossos olhos em Deus, que é mais forte do que todos os sóis do Universo e mais refulgente do que todos os mundos que povoam e iluminam o Infinito!


Aprecie também…

Frases e pensamentos de Fernando Pessoa