A linguagem metafórica nas religiões


A linguagem metafórica dos mitos permite que o espiritual seja tocado, que o infinito seja percebido e que a eternidade seja presente no agora.

Artigo baseado na obra: Tu és isso: Transformando a metáfora religiosa, de Joseph Campbell.


A linguagem metafórica dos mitos

Os mitos são histórias para a mente e relatam aventuras psíquicas do ser humano.

Joseph Campbell, na obra citada, diz:

A vida de uma mitologia surge e depende do vigor metafórico de seus símbolos.

Estes transmitem mais do um mero conceito intelectual, pois, pelo seu caráter interior, eles proporcionam um sentido de participação real na percepção da transcendência.

O símbolo, energizado pela metáfora, transmite não só uma ideia do infinito, mas certa percepção dele.

O que constela a energia nos mitos é o que Adolph Bastian descrevia como “ideias elementares” e Jung chamava de “arquétipos do inconsciente coletivo”, são os poderes motivadores […].

As religiões contam histórias míticas e a linguagem metafórica dos mitos possibilita o contato com os níveis profundos do ser humano e este contato com o mais profundo ao mesmo tempo em que aprofunda também transcende a experiência vivida.

Os mitos estão implícitos na mente humana antes mesmo das experiências similares serem vividas no cotidiano.

O autor comenta que essa mitologia implícita na mente humana é como a princesa adormecida esperando pelo beijo do amado, pronta para ser despertada por uma nova simbolização.

Os mitos se tornam contemporâneos nas mãos dos artistas, em linhas de poesia, nas mãos do escultor e também em enredos de vidas tecidos na arte de viver do ser humano.

A linguagem metafórica dos mitos faz com que o ser humano tenha contato com deuses e temas que não poderiam ser percebidos de outra forma e é desta forma que o reino de Deus está dentro de você.

Os mitos equivocadamente interpretados na ausência da linguagem metafórica se tornam leis inflexíveis nas mãos de ortodoxos e falaciosas palavras nas mãos de falsos profetas.

Os mitos corretamente interpretados conduzem aqueles que os tocam à odisseias que são vividas intrernamente.

É assim que a princesa adormecida desperta na mente humana, que acontece o nascimento do herói da virgem e se sobrevive ao fim dos tempos.

Quando o símbolo não é percebido a mitologia se torna uma história descabida, frágil para a razão e não transmite a mensagem espiritual que carrega.

A terra prometida existe dentro de cada um, mas somente os que conseguem contemplar a vida com sábia inocência podem ver o caminho.

Deixai vir a mim as crianças, não as impeçais, pois o Reino dos céus pertence aos que se tornam semelhantes a elas.

A linguagem metafórica faz com que o ser humano perceba que é nele que está a manjedoura, a cruz e o céu.

Paulo Rogério da Motta