A lã de ouro – Segunda tarefa de Psiquê

A lã de ouro, a segunda tarefa de Psiquê.

Massificação cultural com predomínio dos princípios masculinos.

O princípio feminino, a exata medida e equilíbrio são as lições.

A lã de ouro – Segunda tarefa de Psiquê

A lã de ouro


A segunda tarefa imposta por Afrodite será a de que Psiquê busque o tosão de ouro – lã de ouro – dos ferozes carneiros que pastam na margem oposta do rio.

Novamente diz que se a tarefa não for cumprida o castigo será a morte.

Quando Afrodite se afasta, Psiquê se desespera e pensa mais uma vez em suicídio.

Ela dirige-se ao rio que a separa dos carneiros, mas com a proposta de se matar, porém, no último instante, uma voz sai dos juncos da margem do rio e lhe diz que ela não poderia se aproximar dos animais durante o dia, pois os animais a matariam.

Mas que se ela procurasse um espinheiro na margem do rio no início da noite, então poderia recolher a lã que costumava ficar presa nos espinhos e, assim, ela poderia obter a lã necessária para contentar Afrodite.

Psiquê assim fez e pela segunda vez conseguiu realizar a tarefa.


O mito completo você pode ver aqui: O mito de Eros e Psiquê

A lã de ouro – Segunda tarefa de Psiquê

Sociedade e a força-carneiro


Os ferozes carneiros com lã de ouro representam a nossa sociedade.

Os carneiros são vistos como um bando o que indica a despersonalização, pois não são vistos individualmente.

Isto expressa bem a massificação que a sociedade constantemente procura impor no indivíduo.

A natureza-carneiro da sociedade carrega o ouro e é feroz com quem quer que tente tirar este ouro.

A nossa sociedade mata para proteger o seu ouro e a obtenção do ouro é feroz e perigosa, pois a competitividade é enorme.

O homem constantemente acessa sua força-carneiro que é uma força elementar e é esta força que faz o homem ser tão competitivo e também o afasta de sua feminilidade interior.

O animus da mulher também faz isso e apesar da força-carneiro conferir maior poder numa disputa é necessário saber usá-lo, senão esta força poderá atuar como uma entidade possuindo o indivíduo.

O mito propõe o equilíbrio ao dispor para Psiquê uma estratégia para conseguir a lã dos ferozes carneiros.

Ela não teria que arrancar a lã enquanto ela estivesse nos carneiros, bastaria que ela apanhasse a lã que ficara presa nos arbustos.

Precisamos aprender isso nos dias de hoje.

Não precisamos ser feras para arrancar de feras a lã de ouro que precisamos.

Porém a ideia de se buscar somente a lã necessária é inconcebível em nossa sociedade moderna que propaga que todo mundo tem que ter cada vez mais.

Na sociedade moderna predomina a natureza masculina.

Precisamos feminilizar a nossa sociedade.

A sociedade moderna proporia à Psiquê que ela se engalfinhasse com os carneiros e arrancasse a sua lã a unhas.

O mito mostra que Psiquê representando a mulher ou a anima do homem pode obter as coisas que precisa na exata medida, de maneira equilibrada e sem ter que entrar em nenhum jogo de poder.

Um exemplo do poder da feminilidade diante da força-carneiro é a história de Sansão e Dalila.

A lã de ouro – Segunda tarefa de Psiquê

Paulo Rogério da Motta


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