Vida profissional, Jung e Freud


Vida profissional, Jung e Freud é o terceiro artigo da série de seis artigos que contam a vida e obra de Carl Gustav Jung.

Neste artigo o período até 1915.

Jung e Freud

A vida e obra de Jung em seis artigos:


Parte 3

Vida profissional, Jung e Freud

Período de 1899 a 1915


1900

Jung conclui seus estudos de medicina e se especializou em psiquiatria.

Neste ano também cumpriu seu primeiro período de serviço militar.

Em 11 de dezembro, Jung então começou a trabalhar com Eugene Bleuler, em Zurique, onde trabalhou como seu assistente no Hospital Psiquiátrico de Burghölzli (Clínica Psiquiátrica da Universidade de Zurique).

Bleuler foi um grande incentivador de Jung em suas pesquisas.

Também em 1900, Jung leu a “Interpretação dos Sonhos” de Freud, obra que o afetou muito e despertou seu interesse pelas ideias de Freud. Jung relê esta obra em 1903 e a compreende mais.


1902

Jung defendeu sua tese de doutoramento “Sobre a psicologia e patologia dos fenômenos chamados ocultos”. Este viria a ser o volume I de sua obra.

Em 1902 ficou noivo de Emma Rauschenbach.


1903

Em 14 de fevereiro, Jung se casou com a jovem Emma Rauschenbach (1882-1955), filha de um rico industrial de Schaffhausen, o que possibilitou a Jung uma satisfatória condição financeira.

Jung era um assíduo frequentador do museu de arte da Basileia e a pintura o interessava sobremaneira, tanto que começou também a pintar.

Entre 1902 e 1903, ausentou-se de seu posto no Burghölzli e estudou com Pierre Janet, um importante psicólogo francês.

Jung e Bleuler se interessaram pelas ideias de Freud.


1904

Entre 1904 e 1905, Jung montou um “Laboratório de Psicopatologia Experimental”, no Burghölzli, baseado no modelo de Wundt e Galton e realizou seus estudos das associações de palavras (instrumento de diagnóstico e terapia para descobrir complexos que são agrupamentos de conteúdos psíquicos carregados de afetividade na personalidade).

Jung alcançou notoriedade e era considerado uma estrela promissora da psiquiatria.

Jung, porém, aos poucos foi se desiludindo com as limitações da psicologia experimental.

Em 17 de agosto foi internada em Burghölzli, Sabina Spielrein (1885-1941), uma jovem sensível e inteligente que pertencia a uma rica família judaica de Rostov (Rússia).

O diagnóstico de Jung para ela foi de histeria psicótica.

Para tratar de Sabina, Jung utilizou a psicanálise de Freud e seu método de associação de palavras.

Em 26 de Dezembro nasceu sua primeira filha, Agatha.


1905

Jung foi promovido a Médico Superior no Burghölzli.

Entre 1905 e 1909, Jung foi chefe de clínica no Burghölzli e a clínica tornou-se referência do movimento psicanalítico na época.

Após nove meses depois do tratamento, Sabina teve alta e ainda no hospital matriculou-se no curso de medicina que concluiu em 1911.


1906

Em 8 de Fevereiro nasceu sua segunda filha, Anna.

A psicanálise tornou-se ainda mais importante para Jung quando em 1906, concluiu os estudos sobre “Associação de Palavras“ e começou a se corresponder com Sigmund Freud


1907

Em 3 de Março, Jung visitou Freud em Viena.

O encontro entre Jung e Freud em Viena teve 13 horas de duração. Jung interessou-se a tal ponto que passou a defender as ideias de Freud e formou um pequeno grupo para estudar as suas ideias.


1908

Jung analisou e foi analisado por Otto Gross.

Entre 1908 e 1910, Sabina e Jung tiveram um envolvimento emocional que abalou seu casamento e trouxe conflitos nas questões cristãs e monogâmicas de Jung.

Apesar do sofrimento que afligiu o triângulo amoroso formado por Sabina, Jung e sua esposa Emma decorrente do envolvimento entre médico e paciente, o caso auxiliou Jung a conceber arquetipicamente a criatividade humana com as ideias de anima (imagem feminina na personalidade do homem) e de animus (imagem masculina na personalidade da mulher).

Jung comprou um terreno à margem do Lago Zurique, em Küsnacht e construiu a casa que seria sua morada até o final de sua vida.


1909

Jung começou a estudar mitologia e gnosticismo, deixou de ser psiquiatra em Burghölzli, abriu sua clínica particular em Küsnacht, teve sua primeira experiência registrada com a imaginação ativa e viajou com Freud e Ferenczi para proferir conferências nos EUA.

Jung começou então a se dedicar cada vez mais aos estudos de mitologia, religião e folclore.


1910

Foi fundada a Associação Internacional de Psicanálise (IPA) e Jung foi eleito seu primeiro presidente.

Também neste ano, Jung começou a atender Toni Wolff, mulher com quem se envolveu a partir de 1911 e que teve importante papel em sua vida.

Emma, ciente da relação entre Jung e Toni Wolff, chegou a aceitar tal relação, chegando, inclusive, a ser grata a Toni Wolff por ela ser uma companheira para Jung em aspectos da vida que ela não conseguia ser.


1912

A relação entre Jung e Freud começou a estremecer.


1913

Jung e Freud rompetam a relação definitivamente.

O rompimento entre Jung e Freud teve como ponto principal a não aceitação de Jung de que as causas dos conflitos psíquicos eram sempre de natureza sexual.

O rompimento foi um terrível golpe para os dois.

Jung passou a viver um período de intensos conflitos interiores que tiveram seu início em 1912 quando uma série de sonhos e visões catastróficas.

Jung se demitiu de seu cargo na Universidade de Zurique e passou a viver de sua clínica particular.

Ainda em 1913, Jung foi reeleito presidente da IPA, mas renunciou ao cargo em 1914.

No final de 1913, Jung começou a escrever “O livro vermelho” ou “Liber Novus”, obra que decidira não divulgar na época por seu caráter eminentemente pessoal.

É também neste ano que Jung deu nome à sua psicologia: Psicologia Analítica.

De 1913 a 1917, Jung teve intenso confronto com seu inconsciente e neste confronto tornou-se um homem mais maduro e criativo.

Jung em sua odisseia interior viveu experiências que construíram o alicerce de sua psicologia.


1914

Jung estudou intensamente a obra: “Assim falou Zaratustra”, de Nietzsche, e também a “Divina Comédia”, de Dante.

A obra de Nietzsche foi determinante no pensamento de Jung e foi objeto de profundo estudo e presença marcante no Livro Vermelho, mas ao passo que Nietzsche proclamava a morte de Deus, Jung em sua obra proclamava o renascimento de Deus na alma.

O Livro Vermelho é uma obra que traz uma nova visão sobre todas as demais obras de Jung.

No Livro Vermelho, Jung desenhou e como em um romance revelou todo o confronto que teve com o inconsciente.

Foi a partir deste confronto que Jung concebeu sua profunda psicologia, psicologia nascida nas entranhas da própria alma.

O Livro Vermelho é uma dedicada obra em que Jung ilustrou o texto com pinturas, iniciais historiadas, bordaduras ornamentais e margens, ou seja, é uma obra criada artesanalmente em todos os sentidos.

As folhas do Livro Vermelho expressam não somente um rico conteúdo psicológico, mas, também, a veia literária e artística de Jung. Suas páginas contam sua jornada interior e reconciliação com sua alma.

O Livro Vermelho é uma obra de difícil compreensão e bastante polêmica, fato que fez com que Jung somente permitisse a sua publicação após a sua morte.

Jung atingiu a meia idade.


1915

De 1915 a 1926, Jung estudou com mais afinco ainda a Gnose.

Jung elaborou sua psicologia baseada nos pares de opostos.

A dualidade foi uma ideia presente e fundamental em sua psicologia e exemplos dessa dualidade são os interesses objetivos e subjetivos, razão e espiritualidade, masculino e feminino, luz e sombra, consciente e inconsciente, etc..


Vídeo: A vida profissional e Freud


Jung e Freud