Imago Dei

O que significa Imago Dei?

Dicionário Junguiano: A imagem de Deus configurada na psique humana.

Associada ao self, o arquétipo criador e ordenador…

Imago Dei – Dicionário Junguiano

Dicionário Junguiano

Imago Dei


Jung concebia que Deus é presente na psique humana como imagem.

Imago Dei é a imagem de Deus.

Jung associava a Imago Dei ao self.

[…] Deus é único e eterno. Como individualidade, o self é único e singular, mas como símbolo arquetípico é uma imagem divina e, consequentemente, também universal e “eterno”. (Carl Gustav Jung; AION: Estudos sobre o simbolismo do Si-Mesmo – § 116).

As características do self possibilitam a relação entre o Deus teológico que também é divino, universal e eterno.

O papel do Deus teológico como o Criador é análogo ao papel do self de criador na psique.

Imago Dei – Dicionário Junguiano

Porém, apesar da característica de universalidade, a concepção psíquica de Deus e a singularidade do self têm representações particulares na psique de cada ser humano, pois cada um concebe Deus e vivencia seu self dentro da configuração de sua própria individualidade psíquica.

A configuração particular da imagem de Deus e sua consequente mutabilidade propicia que Deus seja concebido de maneira particular pelo indivíduo.

Esta imagem particular de Deus é a Imago Dei.

Vale ressaltar que Deus não é reduzido a um arquétipo e Edward C. Whitmont, em sua obra: A busca do símbolo: Conceitos básicos de Psicologia Analítica, sobre a imagem de Deus, cita que:

[…] Deus não é reduzido a um impulso ou uma função psicológica. […] Ela é transmitida, no caso, através da psique objetiva sob a forma de sua própria imagética típica (isto é, arquetípica).

Sobre isso Jung diz:

Tenho sido acusado diretamente de alimentar tendências “filosóficas” (ou mesmo “teológicas”), querendo-se dizer com isto que eu pretendo explicar cada coisa “filosoficamente”, e que minhas concepções psicológicas são “metafísicas”. Se eu utilizo certos materiais filosóficos, religiosos e históricos, é tão-somente com a finalidade de apresentar as conexões psíquicas. Se, neste contexto, emprego o conceito de Deus ou a noção, também metafísica, de energia, é porque se trata de imagens que existem na alma humana desde os seus primórdios. […] É por causa, naturalmente, da eterna confusão entre objeto e imago que não se pode fazer uma distinção entre “Deus” e “Imago Dei”, e, por isto, se pensa que, ao falarmos da “imagem de Deus”, referimo-nos ao próprio Deus e o interpretamos em sentido “teológico”. Não cabe à Psicologia enquanto ciência, supor uma hipostasiação da imago dei. Deve, porém, respeitando os fatos, contar com a existência de uma imagem de Deus. (Carl Gustav Jung; A natureza da psique – § 528).

Desta forma, caracteriza-se que, “psiquicamente”, Deus é pessoal, pois Deus é concebido individualmente segundo a experiência que o indivíduo teve de Deus.

Paulo Rogério da Motta