As imagens arquetípicas do psicólogo

As imagens arquetípicas do psicólogo precisam ser devolvidas ao cliente para que fiquem à sua disposição e enriqueçam sua psique e despertem seu curador interno.

As imagens arquetípicas do psicólogo

As imagens arquetípicas do psicólogo


No artigo anterior: As imagens arquetípicas nas fases da terapia, vimos que Edward F. Edinger, em seu livro: “Ciência da alma: uma perspectiva junguiana”, sugere que emergem no cliente, em relação ao seu terapeuta, durante o processo psicoterapêutico na clínica junguiana três grandes figuras:

  • O médico-curandeiro
  • O filósofo-cientista
  • O sacerdote-hierofante

Neste artigo veremos como o psicólogo deve lidar com estas figuras.

É fundamental que todas estas imagens sejam devolvidas à psique do cliente, pois pertencem a ele e a devolução não precisa ser uma explicação didática, afinal, trata-se de um cliente e não de um aluno.

Esta devolução deve ter o objetivo de que estas figuras que são projetadas no terapeuta sejam internalizadas na psique do cliente para que fiquem à disposição dele para futuras situações.

Uma psicoterapia profunda é muito mais do que a cura de uma doença, é o processo em que o papel de curador é despertado no próprio cliente.

Estas três figuras que emergem na relação terapêutica constelam-se em diferentes graus e fases e nem sempre são óbvias, pois, na prática, elas se fundem uma na outra.

As imagens arquetípicas do psicólogo

Lidando com as imagens arquetípicas


O médico-curandeiro

Quando o cliente espera de seu terapeuta o tratamento de seu problema está constelada a primeira figura e o seu desejo é ser tratado em troca de uma taxa, ou seja, ele espera um serviço.

Este é um momento contraproducente da relação terapêutica, pois a postura do cliente é passiva.

É comum que as pessoas de psique mais infantil abandonem a psicoterapia nesta fase.


O filósofo-cientista

Quando o cliente procura o diálogo está constelada a segunda figura e o cliente já tem a percepção de que a cura não será dada do modo esperado e que sua passividade é inadequada.

Essa mudança de postura faz com que o cliente procure uma aliança com seu terapeuta em razão de, em sua opinião, o que o terapeuta tem a oferecer é um método dialético e somente juntos é que a verdade poderá surgir.

Nesta fase surge a compreensão de que o terapeuta não tem uma fórmula para que o cliente viva a sua vida e nem o meio de transformá-lo numa pessoa que viva uma vida sem problemas.


O sacerdote-hierofante

Quando o cliente alcança alguma revelação, ou seja, tem uma experiência numinosa, isto indica que as duas fases anteriores foram transcendidas até certo ponto.

O diálogo agora é feito de forma conjunta e cliente e terapeuta conversam com o inconsciente coletivo.

É nesta fase que o psicólogo ou analista junguiano se diferencia de todos os outros, pois é o único que se preparou para lidar com o inconsciente coletivo, porém, isto pode ser tanto uma vantagem quanto um perigo.

O perigo é eminente diante de egos fracos, como os clientes borderline, por exemplo, que poderão não ter recursos para dialogar com o inconsciente coletivo e poderão correr o risco de serem sucumbidos por ele.

Aqui o terapeuta junguiano deve estar atento para, se necessário, recuar e tratar apenas dos conteúdos pertinentes à consciência e ao inconsciente pessoal.

Pode ser até de bom senso, em alguns casos, o encaminhamento deste cliente a algum colega profissional que fará seu trabalho sem despertar conteúdos do seu inconsciente coletivo.


Imprescindível dizer que o conceito de que a psicoterapia é um processo linear é enganoso.

A psicoterapia é um processo em espiral ascendente com muitas voltas e, por vezes, aparentando retrocessos.

Por ser esta a natureza da psicoterapia é equivocado criar esquemas e sequências fixas de consequências e de trabalho.

A atenção do psicólogo junguiano, portanto, deve ser constante, pois os ventos do processo terapêutico podem mudar de direção constantemente.

Paulo Rogério da Motta