A identificação com a persona para o psicólogo

A identificação com a persona pode ser armadilha para o psicólogo.

Considerar-se detentor do saber ou manipulador de destinos impede o encontro de almas.

A identificação com a persona para o psicólogo

A identificação com a persona para o psicólogo


É muito comum a identificação com a persona, afinal, ela pode ser bastante conveniente.

Quando alguém se especializa em determinada profissão, como a de médico, por exemplo, muitas vezes a pessoa utiliza a sua máscara de médico nas demais situações da vida e é doutor em tempo integral e em todas as situações de vida.

A pessoa deste exemplo é um daqueles médicos que consegue atender inúmeros pacientes num mesmo dia, pois sua atuação é específica e tal profissional não tem a preocupação com os demais aspectos de uma relação entre duas pessoas, por exemplo, a história de vida seu paciente, suas emoções, medos e expectativas.

Na prática clínica é muito importante que o profissional psicólogo não caia na armadilha sedutora de identificação com a persona, pois toda sessão psicoterapêutica é o encontro de pessoas ou, se formos mais longe, o encontro de almas.

Armadilhas comuns da identificação com a persona por parte do psicólogo é a consideração de que ele é o detentor do saber, a de tentar enquadrar seu cliente em sua teoria e a crença de que ele pode modificar pessoas e vidas.

Importante ao psicólogo a reflexão de que seu cliente convive consigo vinte e quatro por dia e, portanto, ninguém melhor que ele para saber de si mesmo.

Também cabe a reflexão de que a teoria que o faz psicólogo é apenas uma ferramenta para alcançar de maneira diferenciada e efetiva o universo psíquico de seu cliente e não que seu cliente foi criado para atender a sua teoria; isto é, a sua teoria não é o manual de instruções de seu cliente.

Outro ponto a se refletir é a de que o psicólogo não é um messias ou super herói e que o seu papel é despertar em seu cliente a conscientização e o conhecimento de si mesmo.

A vocação de auxiliar o próximo deve ser legítima, mas sem o destempero da onipotência.

A identificação com a persona para o psicólogo

Paulo Rogério da Motta