Hinduísmo e Psicologia Analítica

Hinduísmo e Psicologia Analítica concebem a busca do ser humano pela autorrealização no diálogo entre o guerreiro Arjuna (ego) e seu mestre Krishna (Self).

Hinduísmo e Psicologia Analítica

Hinduísmo e Psicologia Analítica


A tradição hindu provém historicamente do período védico e em sua origem os Vedas eram a literatura oral transmitida de professor para o discípulo e os primeiros Vedas remontam a 2.500 a.C.

Os Vedas são constituídos de quatro partes e a última parte são os Upanishads ou Vedantas que significa “o final dos Vedas” e discute-se o propósito de se conhecer o Self que é a essência imortal e imutável de todos os homens.

A Ioga abrange quase todas as práticas religiosas e ascéticas da Índia e é também uma escola específica da filosofia hindu.

O Bhagavad Gita é talvez o primeiro e melhor tratado sobre Ioga e todos os personagens do Gita são representações de qualidades físicas e psicológicas, por exemplo: os cinco irmãos são os cinco sentidos e o campo de batalha é o corpo e a consciência de cada um.

O Bhagavad Gita baseia-se no diálogo entre Arjuna (ego) que é um poderoso guerreiro e Krishna que é seu condutor e mestre espiritual e também uma expressão do próprio Deus (Self).

Na filosofia iogue, o Espírito (Purusha) é a consciência pura e inclui a consciência dentro e além do universo e a sua manifestação é o Self.

Os Vedas dizem que somente o Espírito existe e que, portanto, o homem “é” o Self e que “tem” uma mente e um corpo, mas que geralmente acredita no contrário, ou seja, que o homem “é” corpo e mente e “tem” uma alma.

O Self é o estado de consciência mais agradável, porém permanece inconsciente até que se atinja a autorrealização.

O homem, em geral, é levado a buscar felicidade e excitação em situações exteriores ao invés de buscar a satisfação dentro de si.

A consciência (chitta) engloba todos os processos do pensamento, o sentido de ego, a inteligência intuitiva ou discriminativa, assim como a consciência de sensação e percepção.

A consciência reflete o Self quando está calma e as práticas iogues visam acalmar a mente e aquietar as ondas de consciência.

As tendências subconscientes (samskaras) são capazes de influenciar significativamente a atividade mental e é o resultado de ações passadas e de experiências tanto desta vida como também de outras encarnações e com a reformulação da consciência e através de uma mudança interior fundamental é possível se livrar das influências passadas.

Na Índia, um dos caminhos de crescimento psicológico ou de caminho ideal de crescimento espiritual é o de se levar uma vida de maneira equilibrada de trabalhos e responsabilidades terrenas aliadas à prática da disciplina espiritual.

Hinduísmo e Psicologia Analítica

Psicologia Analítica e Hinduísmo


A tradição hindu conceitua que o ser humano tem que conhecer a sua essência ou Self e no Bhagavad Gita há o diálogo entre o guerreiro Arjuna e o mestre Krishna, sendo o primeiro uma representação do ego e o segundo do Self.

Na filosofia iogue o espírito é denominado Purusha e este se manifesta através do Self e, assim, como na Psicologia Analítica o Self é um conceito transcendente e que só pode ser atingido pela autorrealização.

A consciência na tradição hindu é denominada chitta e quando se encontra serena espelha o ego equilibrado que consegue refletir o próprio Self.

As tendências subconscientes são denominadas samskaras que são resultados de ações passadas, como também são os conteúdos da memória na psicologia, e podem afetar a atividade mental no homem.

A forma de lidar com estas implica na reformulação da consciência que na psicologia seria correlato ao processo de tornar consciente conteúdos inconscientes e também em uma mudança interior que vem a ser também objetivo da psicologia.

Desta forma, o hinduísmo simbolicamente expressa o propósito da psicologia junguiana do ego ser orientado pelo Self.

Hinduísmo e Psicologia Analítica

Paulo Rogério da Motta