O feminino sagrado e a deusa

O feminino sagrado é estranho para quem se habituou apenas com a expressão masculina “deus”.  

Mas o culto à deusa é bem anterior ao culto ao deus.

O feminino sagrado e a deusa

O feminino sagrado e a deusa


 Hoje soa estranho para muitos ouvir a expressão “Deusa”.

Os ouvidos se acostumaram com a expressão “Deus” e o feminino desta palavra incomoda e o efeito disto é que a menção da expressão “Deusa” soa como sinônimo de blasfêmia.

Hoje ao falarmos de resgate do sagrado feminino indica que a Deusa um dia foi presente.

O fato é que a deusa é uma presença eternamente presente na psique humana, pois o culto da Grande Mãe foi presente durante a maior parte da existência humana.

O feminino sagrado foi durante muito mais tempo cultuado do que o masculino sagrado.

Desde o período paleolítico foram encontradas imagens de figuras femininas esculpidas em argila, pedra e ossos.

O feminino sagrado e a deusa - Vênus de Willendorf

A Vênus de Willendorf, é uma estatueta com 11,1 cm de uma figura feminina de corpo volumoso em que se infere uma relação com o conceito de fertilidade.

Estima-se que foi esculpida há 22000 ou 24 000 anos.

O feminino sagrado e a deusa - Vênus de Laussel

A Vênus de Laussel, é uma estatueta talhada num bloco de pedra calcária dura.

Estima-se que foi esculpida entre 20.000-18.000 a.C.

Nestes períodos considera-se que havia o culto à Grande Mãe ou Mãe Terra como símbolo de fertilidade.

Com o desenvolvimento das sociedades a Mãe Terra passou a ser associada à Deusa do Amor.

Hoje o culto à deusa começa a fazer parte da vida de muitas pessoas.

Hoje a Grande Mãe é reverenciada ecologicamente como Mãe Terra.

Hoje o feminino sagrado mostra-se como um resgate necessário para o ser humano.

A Deusa é a representação do princípio feminino, da vida e da Criação e tem como símbolos nosso planeta Terra, a Lua.

A Deusa é a criadora de tudo e está presente em toda a Criação.

O feminino sagrado e a deusa

O feminino sagrado e o retorno da deusa


A história da humanidade com a deusa deixou uma marca eterna na psique humana e mesmo que ela não seja cultuada religiosamente, ainda assim, será uma presença arquetípica inapagável e forte.

Nancy Qualls-Corbett, em sua obra: A prostituta sagrada: A face eterna do feminino, diz:

Com o advento da religião patriarcal e a consequente perda da reverência pela deusa, o desenvolvimento consciente da mulher ficou consideravelmente bloqueado. Lentamente ela passou a cultuar deuses feitos por homens; os valores dos homens tornaram-se seus valores; as atitudes dos homens que justificavam a subordinação da mulher tornaram-se os seus valores.

A perda da relação com a deusa ocasionou a adoção de características masculinas.

A feminilidade foi ocupada pelo feminismo e a busca da igualdade de direitos desvirtuou-se para uma equiparação com a natureza masculina.

Nancy Qualls-Corbett, na mesma obra, diz:

Restaurar a imagem da deusa parece ser tarefa hercúlea, pois o patriarcado não se dispõe a partilhar seu poder. Mesmo assim, as últimas décadas assistiram a mudanças significativas. Os esforços de elevação da conscientização do movimento feminista trouxeram para a frente de batalha a necessidade de igualdade entre mulheres e homens. Os atributos da mulher vêm sendo compreendidos em outros papéis que não sejam o de esposa e mãe.

Hoje vivemos num mundo fálico e as imagens dominantes são de riqueza, poder e tecnologia que se apresentam como deuses a serem cultuados em detrimento das deusas do amor, beleza, êxtase sexual e da experiência numinosa.

Porém a verdadeira cura para este mundo fálico consiste no resgate do feminino sagrado e transformação do mundo interno do ser humano.

Nancy Qualls-Corbett, ainda diz:

Através dos tempos, as mulheres têm sido o repositório do significado, das emoções e dos valores atribuídos à deusa do amor. […] Os homens podem mais uma vez abrir-se para o aspecto dinâmico do feminino e assim facilitar as modificações que se fazem necessárias nas estruturas política, social, econômica e religiosa.

A cura real deve ser feita também e principalmente de dentro para fora.

Paulo Rogério da Motta