Expansão da consciência e o inconsciente

A expansão da consciência é propósito daquele que busca a evolução espiritual, mas como expandir a consciência sem desvendar o inconsciente?

Expansão da consciência e o inconsciente

Expansão da consciência e o inconsciente


A expansão da consciência é propósito daqueles que trilham a senda espiritual, isto é, aqueles que deliberadamente procurar acelerar a sua evolução espiritual.

A consciência é um fenômeno psíquico, logo é assunto para a psicologia.

Carl Gustav Jung diz que:

[…] os processos psíquicos precedem, acompanham e sobrevivem à consciência. A consciência é um intervalo num processo contínuo […]”. (A natureza da psique, § 227).

Partindo do exposto por Jung é possível notar que a conscientização caracteriza-se como um intervalo dentro de algo que é mais abrangente, ou seja, o inconsciente.

A expansão da consciência vem a ser um objetivo de quem trilha a senda espiritual e Angela Maria La Sala Batà, em sua obra: O espaço interior do homem diz que:

[…] a evolução outra coisa não é senão uma passagem da inconsciência para a verdadeira consciência, para a consciência real, a consciência do Si.

Outro ponto a se considerar consiste em se analisar como se dá a evolução na direção do espírito através da expansão da consciência tendo em vista os conteúdos inconscientes em discordância com o objetivo da busca da perfeição.

Batà, na mesma obra, fala da existência de um inconsciente inferior constituído, entre outros conteúdos, de energias instintivas, impulsos e desejos que foram reprimidos.

A autora salienta a dificuldade em se conhecer e anexar seu conteúdo por serem energias bloqueadas, portanto, apresentam resistência e diz que:

Na realidade, o inconsciente inferior só pode ser conhecido e libertado se possuirmos a verdadeira consciência, mesmo em sua forma inicial, e se tivermos alcançado um determinado nível de maturidade interior, que nos dê a capacidade de “nos aceitar” e de ver a nós mesmos pelo que somos, sem com isso perder a confiança em nós mesmos, sem nos deixar envolver por conteúdos negativos que podem se manifestar, e sem criar sentimentos de culpa em relação a nós próprios.

Jung, por sua vez, observa que:

[…] todas aquelas formas de atividades latentes na psique e que são supressas ou negligenciadas no indivíduo sejam, por isso mesmo, privadas de sua energia específica. (A natureza da psique, § 258).

Expansão da consciência e o inconsciente

Isto significa que a expansão da consciência não privará o indivíduo de necessariamente vivenciar os conteúdos da inconsciência.

Assim, a expansão da consciência contempla também a necessidade de se conhecer e anexar os conteúdos inconscientes.

Desta forma, desvincula-se da ética proposta pelo estoicismo de Zenão de Cício que, segundo Edward F. Edinger, em sua obra: A psique na antiguidade: livro um, pauta a doutrina estoica na apatheia.

Ou seja, o objetivo dos sábios era o de levar uma vida sem paixões, emoções e sofrimentos e sobre essa desidentificação quanto aos afetos, Edinger diz:

A análise psicológica não promove algo semelhante a apatheia, porque deliberadamente faz o esforço de promover a desidentificação quanto aos afetos. Certamente, a meta não é eliminá-los – isso seria um ato de repressão dissociativa – mas de preferência objetivá-los. Isso só pode ser feito quando o ego não está identificado com os afetos; quando eles são objetivados, reconhece-se que os afetos advêm do Self e não do ego e eles são sentidos como manifestações da libido transpessoal.

Considerando-se a carga afetiva dos conteúdos inconscientes e a busca da objetivação dos afetos evidencia-se que a expansão da consciência se dá com a integração dos conteúdos inconscientes e não numa repressão destes.

Isto porque o conteúdo reprimido se tornaria mais conteúdo inconsciente indicando, assim, um movimento contrário ao buscado, ou seja, haveria sim, uma expansão da inconsciência.

Geoffrey Hodson, na obra: A senda para a perfeição, ao falar da prática da vida espiritual diz que o indivíduo que deseja acelerar sua evolução deve buscar:

[…] uma subordinação sistemática do pensamento, do sentimento e da ação às necessidades do desenvolvimento espiritual. […] O homem espiritualmente desperto é consciente deste impulso em seu interior […].

Isto é, a premissa de toda ação humana deve estar norteada na busca da evolução espiritual que, por sua vez, baseia-se na busca da perfeição.

Uma consideração importante a ser feita para aqueles que buscam a senda espiritual e o caminho da perfeição vem da psicologia de Jung.

A consideração é a de que o propósito maior da psique é a busca de si mesmo e isto significa buscar a totalidade encerrada em cada um.

A conclusão é de que não há como buscar perfeição sem antes se conhecer a própria totalidade.

Como buscar o plenamente perfeito sem sequer se conhecer plenamente?

Como corrigir imperfeições sem conhecer o ser que carrega as imperfeições?

Isto é, na expansão da consciência há que se desvendar o inconsciente e a busca da perfeição não há como preceder a busca da totalidade.

Expansão da consciência e o inconsciente

Paulo Rogério da Motta