Evolução espiritual e a psicologia

Na evolução espiritual existem níveis não perceptíveis e propósitos conscientes.

A busca do sagrado e a busca de si mesmo unem espiritualidade e psicologia.

Evolução espiritual e a psicologia

Evolução espiritual e a psicologia


A evolução espiritual abrange toda forma de existência segundo Hodson (1994, p. 31), que afirma que:

Evolução espiritual e a psicologia

[…] o impulso para o desenvolvimento e a consecução do objetivo permanece inerente e ativo em toda a Natureza. Trata-se do resultado da pressão contínua e irresistível na direção da expansão e da plenitude do espírito enclausurado pela matéria.

Bailey contribui com a afirmação de Hodson ao citar que:

A vida não pode ser expressa por palavras, nem a sua perfeição tão pouco. O processo de chegar a ser que conduz ao ser é um fato cósmico que inclui todas as formas e nenhum filho de Deus escapa a este processo mutável. (BAILEY, 1974, p. 41 e 42).

Cabe, portanto, partir da premissa de que a evolução espiritual é presente em toda forma de vida e não uma particularidade da espécie humana.

Sobre a evolução espiritual humana, Leadbeater (1994, p. 61) diz que:

[…] devemos subir mais e mais para os níveis dos anjos, dos grandes espíritos, níveis por enquanto além do nosso alcance.

Leadbeater diz que tal jornada culminará no retorno a Deus.

O autor indica que na evolução espiritual existem níveis ainda não perceptíveis ao ser humano, portanto, inconscientes, mas aponta que o ápice de tal empreitada é conhecido, portanto, consciente, que é o regresso Àquele que o criou.

O ciclo da evolução espiritual consiste então num movimento circular e o destino final é o mesmo do ponto original: Deus.

A evolução espiritual é tida como o caminho do homem mortal até o homem divino e imortal que é semelhante ao deus criador.

Jung diz:

Da leitura dos tratados latinos se depreende também que o Demiurgo latente, adormecido e oculto, no seio da matéria, é idêntico ao chamado homo philisophicus: o segundo Adão. Este último é o homem espiritual, superior, o Adão Cadmo, muitas vezes identificado a Cristo. Enquanto o primeiro Adão era mortal, por ser composto dos quatro elementos perecíveis, o segundo é imortal, por ser composto de uma essência pura e imperecível. (JUNG, 2008, § 94)

Conhecer a origem e o destino final da evolução espiritual, entretanto, não esclarece ao ser humano em que consiste o trilhar desta senda.

Bailey (1974, p. 43) diz que “quando tivermos avançado mais no Caminho, veremos o espírito em toda a parte […]” e o avançar no Caminho citado pela autora aponta para uma percepção crescente do que é espiritual na medida em que o ser humano evolui.

Desta forma, a percepção do caminho comum a todos os seres da evolução espiritual passa pela necessidade da obtenção de uma evolução individual.

Evolução espiritual e a psicologia

Isto é, o retorno à essência original, divina e comum a todos só será possível mediante uma empreitada individual de evolução para que o homem, enfim, perceba a plenitude de quem é: um ser espiritual em essência.

 A evolução espiritual declara ao homem um caminho de retorno à sua essência e de outro lado a psicologia analítica de Jung concebe ao homem um caminho da busca de si mesmo.

Discernir a individuação da evolução espiritual é uma tarefa difícil, pois ambas, muitas vezes, convergem uma na outra, assim como o espiritual e o psíquico convergem um no outro e isto pode ocasionar confusão tanto para o leigo na área da psicologia, como também aos próprios profissionais da área.

Jung, porém, ressalta que a psicologia e, por consequência, o psicólogo devem se preparar para lidar com temas que envolvam a espiritualidade humana:

Os conhecimentos que se exigem do médico não constaram de seu currículo na faculdade. Não foi preparado para cuidar da alma humana, pois ela não é problema psiquiátrico ou fisiológico, e muito menos biológico. É um problema psicológico. A alma é um território em si, com leis que lhe são próprias. A essência da alma não pode ser derivada de princípios de outros campos da ciência, caso contrário violar-se-ia a natureza particular do psiquismo. (JUNG, 2011, § 22)

Considerando que espírito refere-se ao que é imortal no homem e que psique, segundo Sharp (1993, p. 131) refere-se “a totalidade de todos os processos psicológicos, tanto conscientes quanto inconscientes”, convém também considerar que o espírito imortal humano somente poderá atuar através da psique da vida atual.

Assim, a psicologia acaba por ser a ponte que permite que o que é espiritual e o que é psíquico coexistam na totalidade do ser humano, não como sinônimos, mas como complementos e ao integrá-los possibilitar que o ser humano tenha a liberdade de vivenciar a espiritualidade que há em si não como uma patologia, mas sim como uma expressão de sua natureza e ingrediente de sua totalidade.

Paulo Rogério da Motta


Referências

BAILEY, A. A. Tratado sobre os sete raios. Lisboa: Tipografia de Narciso Correia, 1974. v. 1: psicologia esotérica.

HODSON, G. A senda para a perfeição. Brasília: Teosófica, 1994.

JUNG, C. G. A prática da psicoterapia. Petrópolis: Vozes, 2011.

JUNG, C. G. Psicologia e religião. Petrópolis: Vozes, 2008.

LEADBEATER, C. W. A gnose cristã. Brasília: Teosófica, 1994.

SHARP, D. Léxico junguiano: Dicionário de termos e conceitos. São Paulo: Cultrix, 1993.