O eterno retorno nos mitos e dos arquétipos

O eterno retorno é o tempo do mito.

Assim, o mito é o eterno presente e seus enredos são atemporais e cíclicos.

Assim como os mitos também são os arquétipos.

Era uma vez…

É uma vez…

Será uma vez…

O eterno retorno nos mitos e dos arquétipos

O eterno retorno nos mitos


Uma característica importante dos mitos é a sua linha do tempo.

O cotidiano e a história humana são vividos linearmente, ou seja, a história se passa num tempo cronológico em que os eventos acontecem e são descritos de forma sequencial.

O enredo escrito de forma linear se consuma em uma trajetória constituída de passado e presente.

Os mitos, por sua vez, são vivenciados num ritmo cíclico e este tempo mitológico acaba por constituir um eterno presente e são, assim, histórias atemporais.

Os mitos carregam dentro de si passado, presente e futuro dentro de uma circunferência que é a eternidade.

O eterno retorno nos mitos e dos arquétipos

O historiador Mircea Eliade denominou este tempo cíclico dos mitos de “eterno retorno”.

Esse eterno retorno como características dos mitos, além de sua atemporalidade, fazem deles enredos que são potencialmente presentes no viver humano.

Por isso, os mitos não podem ser confundidos como sendo apenas histórias. Os mitos em sua essência são enredos que estruturam as histórias.

As histórias mitológicas são as vestimentas de enredos que sempre se repetem em diferentes épocas e culturas.

Os mitos são como roteiros do destino.

O eterno retorno nos mitos e dos arquétipos

Os mitos e os arquétipos


Esta característica dos mitos de serem roteiros do destino alinha harmoniosamente com a ideia de Carl Gustav Jung dos arquétipos.

Os arquétipos constituem a base psíquica e são eles que compõem o inconsciente coletivo, a herança psíquica do ser humano.

No inconsciente coletivo estão os fundamentos estruturais e as camadas mais profundas da psique e nele estão os materiais que foram herdados da humanidade através do tempo.

Jung, assim, postula que o ser humano não nasce como uma “tábula rasa”, ou seja, o ser humano já carrega dentro de si enredos a serem ativados pelas suas experiências de vida.

Estas tendências psíquicas são enredos míticos.

Assim como os mitos carregam a característica do eterno retorno igualmente os arquétipos carregam a mesma característica.

Quanto mais se estuda a mitologia mais clara fica a genialidade de Jung ao perceber a relação dos mitos com a configuração da psique humana.

A psique sempre será a morada de deuses e sagas.

Os mitos e os arquétipos são imortais e isto garante a ambos o eterno retorno.

Paulo Rogério da Motta