A espiritualidade na prática clínica

A espiritualidade na prática clínica permite que aquele que sofre não considere sua natureza espiritual como patológica.

Envolve uma relação de empatia.

A espiritualidade na prática clínica

Conflito psíquico e espiritualidade


Nos consultórios de psicólogos e psiquiatras, espaço onde as almas são analisadas, os fenômenos transcendentes são materiais trazidos pelas pessoas.

Geralmente, os problemas decorrentes dos fenômenos transcendentes não são tratados da melhor maneira em razão do pouco saber escrito sobre tal tema.

Surge, então, o problema do ser humano que sofre e carrega em si a expectativa de uma cura mágica e de uma sociedade que acredita que um comprimido será a solução para uma alma que não se conhece.

Muitas vezes a pessoa com tal problema recorre às religiões e seus conflitos precisam ser “ajustados” aos dogmas da religião, nem sempre apropriados para aquele que sofre.

A espiritualidade pede para ser vivida pela psique do indivíduo que não encontra meios de lidar com isso.

Assim, surgem os conflitos psíquicos decorrentes da natureza espiritual do ser humano.

A espiritualidade na prática clínica

A espiritualidade na prática clínica


A psicologia deu um grande passo na descoberta do inconsciente com Freud e agora se faz necessária uma nova elaboração da consciência e dos seus limites.

As neuroses estão relacionadas com o mundo interior do ser humano e uma concepção materialista não terá grande utilidade, pois se o sintoma é de natureza psíquica e a psique for entendida como produto de processos cerebrais, então toda causa terá que, necessariamente, ser orgânica ou física.

Os conflitos decorrentes da espiritualidade ou são tratados de acordo com a sua natureza ou terão que ser tidos como patologias.

O conflito tendo uma causa psíquica poderá fazer com que o indivíduo, mesmo que confie no profissional que o atenda, adote uma postura inibida na confissão da sua enfermidade porque se verá como alvo da opinião do profissional.

Além de que o conflito é tido na visão daquele que o tem como algo até humilhante porque se baseia em algo tido como irreal.

O cenário então é a negação da psique que implica na negação da própria existência do indivíduo, pois ao negar a sua natureza espiritual ele deixa de estar inteiro no processo psicoterapêutico.

Por isso, espiritualidade é algo que seria benéfico nas relações humanas, principalmente dentro do setting terapêutico.

Isto porque permitiria que o espírito fosse percebido e que a alma humana se manifestasse propiciando o conhecimento de si mesma.

A psicologia precisa da espiritualidade, pois, é desta forma, que o indivíduo tenderá à organização e totalidade e poderá, por fim, lidar com a espiritualidade da alma e com a materialidade do corpo e, assim, não fragmentar a sua própria natureza.

A psicoterapia é mais do que um processo que busca a cura de sintomas, ela consiste na promoção do autoconhecimento e do autodesenvolvimento e isto pode ser compreendido como espiritualidade.

E a empatia é fundamental na psicoterapia.

E o processo da empatia consiste em buscar compreender o outro através da condição do outro e isso é necessário no trabalho psicoterapêutico, pois sem ela não será possível entender o sofrimento que o outro vive.

E se o conflito que o indivíduo traz envolve sua natureza espiritual esta não deve ser desprezada nem menosprezada pelo psicoterapeuta.

A empatia acontece quando um sai da sua condição existencial e busca a condição existencial do outro e isto vem a ser fundamentalmente a própria transcendência.

A espiritualidade na prática clínica, portanto, envolve uma relação pautada em transcendência, tanto do cliente quanto do próprio psicoterapeuta.

O psicoterapeuta ao transcender a si mesmo alcança o si mesmo do outro.

Paulo Rogério da Motta