A espiritualidade e o ser humano

A espiritualidade é hoje considerada como sinônimo de religiosidade.

A ciência decretou que somente ela pode declarar a verdade.

Como fica o ser humano com tudo isso?

A espiritualidade e o ser humano

Corpo e alma


A unidade do ser humano foi fragmentada e corpo e alma se tornaram polos opostos em associação com a ideia da existência do antagonismo entre o que é material e o que é espiritual.

O estudo do que é material, concreto e objetivo trouxe à ciência a concepção de não validade para o que é espiritual, abstrato e subjetivo.

A ciência passou a focar seus objetos de estudo no que poderia ser delimitado no racionalismo e no intelectualismo e o que é espiritual e religioso passou a ser sinônimo de irracional.

A cultura ocidental, em especial, se tornou materialista e a espiritualidade foi posta de lado, à margem do que poderia ser concebido como real e existente.

A concepção de um homem somente concreto, fruto da hereditariedade genética, manipulado por condicionamentos e pelo contexto social e movido por impulsos e desejos cristalizou a ideia do homem como uma máquina pensante desprovida de alma.

A espiritualidade e o ser humano

Espiritualidade negligenciada


A espiritualidade foi confinada nas religiões e até hoje se comete o engano de se considerar que ambas são sinônimos, mas ressalte-se que a religiosidade é apenas uma das formas de expressão da espiritualidade.

Diante de tal contexto o que é espiritual passou a ser negligenciado e a espiritualidade humana recebeu o rótulo de “não existente” ou “não importante” e, assim como uma máquina, o ser humano passou a ser concebido como algo material movido por mecanismos.

O existente é o que poderia ser comprovado cientificamente e o espírito que não pode ser comprovado desta forma foi através da lógica e do racionalismo tido como inexistente.

Mas a espiritualidade nunca deixou de existir, ela apenas deixou de ser enxergada e hoje, ainda que timidamente, começa a ocupar um espaço que a torna visível aos olhos de pesquisadores que se sentem incomodados com as delimitações do racionalismo e intelectualismo material.

A espiritualidade e o ser humano

Ego e espiritualidade


Para o estudo da espiritualidade ou de qualquer tema do conhecimento o psiquismo humano utilizará o que a psicologia chama de “ego”.

O ego é o centro da consciência e é o ego que possibilita ao homem um sentido de identidade e de continuidade, ou seja, o ego possibilita que o ser humano perceba-se como alguém (identidade) todos os dias de sua vida (continuidade).

Importante ressaltar desde já que o ego é centro da consciência e não o centro do psiquismo, pois no psiquismo humano há o inconsciente, sendo o inconsciente a maior parte do psiquismo humano.

Partindo destas ideias concebemos que há no psiquismo humano conteúdos conscientes e inconscientes e que o ego é o agente da consciência, ou seja, qualquer conteúdo para se tornar consciente tem que ter contato com o ego. Inclusive a espiritualidade!

Hoje vivemos num mundo baseado no ego.

O ser humano configura o seu viver em palavras como egoísmo e egocentrismo.

Este distanciamento do ser humano de sua própria e real espiritualidade, o antagonismo entre ciência e religião, a fragmentação entre corpo e alma são consequências deste reinado do ego.

Em um mundo governado pelo ego o ser humano não consegue viver a sua real espiritualidade e, assim, deixa de viver a sua própria totalidade. 


Vídeo: O ego e a espiritualidade