Eros e Psiquê por Fernando Pessoa

Eros e Psiquê por Fernando Pessoa é um belíssimo poema que passeia pelo Inconsciente Coletivo ativando arquétipos em nome do amor.

Eros e Psiquê por Fernando Pessoa

Deus e Mulher Humana…

Imortal e Mortal…

Nem a dualidade resiste ao amor!

Eros e Psiquê por Fernando Pessoa

Sobre o mito de Eros e Psiquê


A história de Eros e Psiquê é um mito antigo, pré-cristão, da era clássica grega (séculos V e IV a.C. até o início do século III a.C.), mas antes disso já existia na tradição oral.

O mito de Eros e Psique foi descrito por Lúcio Apuleiro (150 d.C.) no romance “Metamorfoses” (“Metamorphoseon Libri XI” ou “Onze livros de metamorfose”), mais conhecido como “O asno de ouro”.

A história de Psiquê é a história de toda mulher e também da anima no homem.

Fracassos e quedas fazem e sempre farão parte do caminho, mas a transcendência e a elevação é que são os propósitos desta jornada.

Quando o deus do amor ama tudo pode acontecer!

Paulo Rogério da Motta


Vídeo: Eros e Psiquê por Fernando Pessoa


Eros e Psiquê por Fernando Pessoa

Conta a lenda que dormia

Uma Princesa encantada

A quem só despertaria

Um Infante, que viria

De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,

Vencer o mal e o bem,

Antes que, já libertado,

Deixasse o caminho errado

Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,

Se espera, dormindo espera,

Sonha em morte a sua vida,

E orna-lhe a fronte esquecida,

Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,

Sem saber que intuito tem,

Rompe o caminho fadado,

Ele dela é ignorado,

Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino

Ela dormindo encantada,

Ele buscando-a sem tino

Pelo processo divino

Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro

Tudo pela estrada fora,

E falso, ele vem seguro,

E vencendo estrada e muro,

Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,

À cabeça, em maresia,

Ergue a mão, e encontra Hera,

E vê que ele mesmo era

A Princesa que dormia….