Eros e o marido machista

Eros, o deus do amor, pode ser compreendido como a própria figura do homem e também do aspecto masculino da mulher, o animus.

E Eros também mostra o lado machista masculino!

Eros e o marido machista

O mito de Eros e Psiquê


Eros é deus do amor e do desejo.

A lenda mais conhecida retrata-o como o filho de Afrodite e de um deus do Olimpo (Hermes, Aros ou Zeus).

Eros é um jovem deus alado charmoso e, por vezes, perverso.

Eros carrega arco e flechas, e quem quer que alveje apaixona-se de imediato, até mesmo os próprios deuses.

Há um mito em que Eros sente o próprio poder ao se espetar com uma de suas flechas.

É o mito de Eros e Psiquê.

O mito completo você pode ver neste artigo: O mito de Eros e Psiquê.

E uma passagem no mito de Eros e Psiquê merece destaque para analisarmos o lado machista do deus Eros:

Psiquê se encanta com o Paraíso.

Ela agora vive num lugar onde tem tudo o que quer e é a mulher de um deus. Mas condições foram impostas à Psiquê para que ela pudesse continuar morando no Paraíso: ela nunca poderia olhar para seu marido quando este a procurasse todas as noites e ela também nunca poderia lhe fazer qualquer pergunta sobre seus atos.

Psiquê, por querer continuar sendo a sua esposa, aceita todas as suas condições.

Eros e o marido machista

Cultura machista


O homem como um deus que tudo pode e ao seu lado uma mulher que nada questiona.

Quantos homens não querem exatamente isso de suas mulheres?

Este é o modelo patriarcal imposto por nossa cultura machista que, apesar das conquistas femininas, ainda se encontra profundamente enraizado nos homens.

Mas o vento que sopra lá também sopra cá!

Há mulheres com comportamento extremamente machista e algumas dão o nome de feminismo ao seu comportamento machista.

Achar que tudo pode é um sentimento de onipotência e onipotência é ilusão.

O que há a se refletir é o comportamento ou atitude que tem como raiz a busca de poder com a submissão do outro.

Um exemplo da postura machista de uma mulher está na clássica figura da sogra terrível que quer dominar a relação do filho com aquela que ousou tirar o filho de debaixo de suas asas.

A dominação é uma característica masculina que se utiliza da força para submeter o outro.

E o poder da mulher não é a força bruta. O poder da mulher é a sedução.

A popular “DR”, a discussão da relação, é o temido momento pelo homem que se sente desconfortável em um diálogo em que sabe que está ali para ser convencido pela companheira. Ele sabe que está ali para ser seduzido pelas palavras e artimanhas femininas.

Eros e o marido machista

Eros e o marido machista


O homem se vê como marido-deus que se casou com a esposa-mulher.

Este é um estágio que acontece em inúmeros casamentos.

Ás vezes, mais do que um estágio, é a tônica de um casamento.

Quando a cultura machista faz parte da relação é necessária a intervenção feminina.

A sabedoria consiste na questão de que o marido-deus não pode ser destronado sem o devido cuidado, pois é algo culturalmente configurado na mente masculina.

O ideal é que a cultura mude, mas a cultura não muda do dia para a noite e o contexto atual, infelizmente, é o de uma cultura patriarcal e machista.

Dentro do contexto cultural machista que vigora a sabedoria feminina é o caminho de transformação.

No caso do marido machista o papel da mulher-esposa é o de encaminhar o homem em seu crescimento e para isso é preciso destronar o rei.

O homem para crescer precisa da figura feminina, seja ela a mulher ao seu lado ou o aspecto feminino dentro de sua psique, a anima.

Há um artigo que trata do aspecto masculino na psique feminina e do aspecto feminino na psique masculina aqui em Psicologia Profunda, o artigo: Anima e Animus.

Mas voltando à situação do casal!

O casamento é percebido como um compromisso desde o início pela mulher e para o homem não é tanto assim.

E o homem precisará da figura feminina para perceber o compromisso mútuo que existe em um casamento.

A postura imatura de Eros é seguida pelos homens que procuram oferecer o paraíso (na cabeça deles) à mulher que não pode lhe questionar.

A brincadeira popular em que o homem ao ver uma mulher que o atrai diz que pode lhe oferecer casa, comida e dinheiro é um exemplo dessa postura imatura de Eros.

E há homens que querem carregar essa postura por todo um casamento e não entendem aquelas mulheres que reclamam quando na cabeça deles nada lhes falta, pois oferecem à mulher teto e comida.

Essa postura de Eros imaturo nos dias atuais é um tremendo campo minado para a cultura machista, pois a mulher reconquista seu espaço social, profissional e econômico a cada dia.

Nas relações em que o homem carrega a postura de Eros imaturo, as mulheres precisam destronar o deus-marido com cuidado, mas é “necessário” que isso aconteça!

Eros e o marido machista

Paraísos são imperfeitos


Perceba que toda história que tem um Paraíso mostra que ele não é perfeito.

Até no paraíso de Deus havia maçãs e serpente!

Mas há situações que realmente só serão aprendidas quando vivenciadas e o desejo de construir paraísos é própria do ser humano e exemplo disto é o casal de enamorados que fazem planos mirabolantes e inatingíveis quando estão na fase da paixão.

Para a mulher fica aqui uma nota muito importante: “qualquer crescimento da mulher assusta os homens”!

A psique masculina funciona, muitas vezes inconscientemente, de forma a considerar que há uma supremacia do homem sobre a mulher.

A situação de igualdade ou o de superioridade da mulher é desconfortável para a psique masculina.

Muitos homens podem agora falar: “eu não sou assim!”.

Parabéns por seu amadurecimento psíquico! Mas saiba que as raízes continuam na sua psique. Esta postura machista foi sendo plantada e regada por gerações e gerações!

Falamos na necessidade de destronar o marido que se vê com os direitos de um rei e na posição de um deus na relação.

Esta postura está configurada na psique masculina e o modelo de paraíso para o homem passa pela realização de seu reinado e ele ser o deus todo poderoso.

A mulher, então, precisa da sabedoria da paciência e auxiliar o Eros imaturo a aceitar o necessário crescimento.

Chato dizer, mas os homens são assim mesmo, é a parte Eros que todo homem tem.

Esse Eros imaturo que é movido pelo inconsciente e é fácil de ser percebido não somente nos maridos, mas também nos pais que não querem ver suas filhinhas se tornarem mulheres.

Neste ponto vale à pena relembrar que tudo o que foi dito até aqui dos homens diz também respeito ao aspecto masculino da mulher, o animus.

O paradoxo é real e acontece: há muitas mulheres machistas!

Muitas mulheres vivem dominadas pelos homens, mas muitas vivem sob a dominação de seu próprio aspecto masculino, o animus.

Nestes casos há que se amenizar a influência do arquétipo animus para a mulher poder viver a plenitude de sua força feminina.

E quando a mulher vive a plenitude de sua força se há um sexo frágil na história, este é o sexo masculino.

Paulo Rogério da Motta