Discernimento da mulher e a faca de Psiquê

O discernimento da mulher é algo que, por vezes, precisa ser trabalhado.

A mulher é plural e focar no singular pode ser difícil.

É como no mito com Psique com a faca na mão!

Discernimento da mulher e a faca de Psiquê

Discernimento da mulher e a faca de Psiquê


Há uma passagem no mito de Eros e Psiquê em que a moça ludibriada por suas irmãs é convencida a cortar a cabeça do deus do amor.

O mito completo você pode conferir aqui em Psicologia Profunda neste artigo: O mito de Eros e Psiquê.

No mito quando Psiquê é arrebatada pelo amor ela fere Eros, o assusta e o afugenta.

Muitas mulheres são assim quando se apaixonam!

São vorazes, devoradoras e opressoras, carregam uma faca nas mãos.

Psiquê pretendia cortar a cabeça do monstro, ou seja, separar a cabeça do corpo.

A faca simbolicamente expressa atitudes e comportamentos que cortam as relações e separam as pessoas.

A pessoa que fala compulsivamente e não deixa espaço para o diálogo é alguém que está bradando com uma faca nas mãos.

Um comportamento sarcástico é cortante.

Um comentário arrasador é uma faca cortando a sua vítima.

A anima de um homem muitas vezes empunha uma faca quando a relação não o está satisfazendo.

Sobre Anima e Animus há também um artigo em Psicologia Profunda: Ela e ele, Anima e Animus.

A faca é um bom instrumento quando fazemos o uso interno dela, ou seja, a utilizamos para separar as coisas perante nós e isto nada mais é do que a nossa capacidade de discernimento.

Discernimento da mulher e a faca de Psiquê

Discernir essência de aparência


Além do discernimento abordado no mito, vamos aprofundar este assunto elevando-o para o patamar de o discernimento servir para separar a essência da aparência.

E o principal uso que podemos fazer do discernimento é este: separarmos a essência da aparência.

É muito comum o ser humano se encantar ou se amedrontar com a aparência de coisas e pessoas e ser movido pela impressão causada, porém, inúmeras vezes, “as aparências enganam”.

A história de A Bela e a Fera é um conto de fadas que se baseia nesse tipo de discernimento que falamos agora.

O discernimento não é apenas uma escolha entre o “sim e o não”, pois existem diferentes graus de densidade em tudo.

Não há algo completamente bom ou mau em algo totalmente certo ou errado que caiba em toda e qualquer situação.

Matar alguém, por exemplo, seria totalmente ruim se não fosse a situação de legítima defesa.

A densidade das coisas que falo também se refere ao estado da coisa e para isso, por analogia, podemos considerar a situação da água que pode ser líquida, gasosa e sólida, porém sempre água.

Esta densidade das coisas também pode ser sentida na diferença entre conhecimento e sabedoria que faz do uso do discernimento algo necessário e sábio.

Por exemplo, podemos ter o conhecimento de que a água é composta de dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, mas a sabedoria consiste em saber que esmurrar o vapor de água não fere, ao passo que esmurrar uma barra de gelo pode ser algo bem doloroso.

Voltando ao tema do discernimento da mulher sabemos que este adorável ser é plural, multitarefa, ou seja, a mulher é capaz de fazer e dar atenção a inúmeras coisas ao mesmo tempo. Coisa praticamente impossível para o homem que precisa fazer uma coisa de cada vez.

Esta capacidade plural da mulher, geralmente, faz com que ela se habitue a lidar com várias coisas ao mesmo tempo e isto resulta que o discernimento, muitas vezes, não é exercido.

Exemplos: é mais difícil para a mulher separar sexo de paixão e também paixão de amor.

Estes são exemplos em que o discernimento deve ser buscado.

Um homem que aparentemente se mostra apaixonado pode não estar essencialmente apaixonado.

Um homem que pode estar aparentemente amando pode não estar essencialmente amando.

O discernimento da mulher é necessário para que não caia em armadilhas de ilusões armadas até por ela mesma!

E o discernimento é cabível em todas as situações da vida, não somente nas relacionadas ao amor. O discernimento serve para se dar prioridade ao que é mais importante.

A mulher que utilizar sua sensibilidade de forma reflexiva e não impulsiva tem a total possibilidade de ser uma daquelas pessoas que aparenta ao mundo ser alguém que consegue ter uma visão ampla e profunda de todas as coisas.

Se ela “realmente” unir sua sensibilidade ao discernimento ela, além de aparentar ser assim, ela será essencialmente assim.

Paulo Rogério da Motta