Desejo e medo de amar

Desejo e medo de amar convivem dentro de um mesmo coração.

Conflito psíquico, nó no coração e labirinto na alma.

Amar ou não amar, eis a questão?

Desejo e medo de amar

Desejo e medo de amar


Quem em seu passado sentiu-se mal amado terá grande dificuldade em amar.

O peso do passado sente-se no presente.

Amar, por vezes, dói.

Por outro lado, ser amado regozija.

Surge a questão do medo e do desejo.

A pessoa deseja amar, mas tem medo de amar.

Desejo e medo num mesmo coração.

O desejo move o medo e o medo acaba por também ser uma forma de desejo.

Medo e prazer são como duas faces de uma mesma moeda chamada desejo.

O desejo de reviver um prazer do passado é um lado da moeda e o desejo de evitar que uma dor se repita é o outro lado da moeda.

O medo é tanto maior quanto maior for a quantidade de experiências dolorosas que se tem armazenada na memória.

O ser humano é um ser psíquico e em sua forma de ser tem em si sentimentos, emoções, afetividade…

O ser humano ao ter contato com alguma coisa a sente e a interpreta.

Ele dá valor e significado a essa coisa.

Assim, o ser humano constrói a sua concepção desse algo, mesmo que este algo seja o amor.

O ser humano idealiza aquilo com o qual tem contato, por isso nos fascinamos, nos decepcionamos, admiramos e desgostamos das coisas.

Pois, geralmente, avaliamos as coisas de acordo com o quanto elas correspondem ao que temos idealizado em nós.

Dessa forma quanto mais o mundo objetivo é diferente do mundo subjetivo mais motivos se têm para sofrer.

Se alguém idealiza que determinada coisa aconteça e na realidade ela não acontece então sofre.

Se alguém idealiza ter alguém eternamente e na realidade isso é impossível e a perde então sofre.

Desejo e medo de amar

O que fazer então?


Catherine Bensaid, na obra: O essencial do amor: As diferentes faces da experiência amorosa, conta uma interessante parábola para reflexão:

Ramakrishna relata a história de um homem que decidiu escavar um poço.

Não tendo encontrado água, trocou três vezes de lugar, escavando sempre cada vez mais fundo, mas sem resultado.

Desanimado, acabou por abandonar seu projeto.

“Se ele tivesse tido a paciência de fazer apenas metade desse trabalho, sem trocar de lugar, ele teria certamente encontrado água.”.

Jean-Yves Leloup, na mesma obra, diz:

Nossa decepção avalia-se pela medida de nossas expectativas.

O que fazer então?

Ao invés de temer ou desejar um “novo amor”, construa um “novo amar”.

Com um novo amar pode ser possível se amar o mesmo amor de um modo diferente ou então ser capaz de suportar a perda de um amor sem perder a capacidade de amar.

Desejo e medo de amar

Paulo Rogério da Motta