Chapeuzinho Vermelho, de Charles Perrault


Chapeuzinho Vermelho, a história original de Charles Perrault e sua continuação.

Outro lobo aborda Chapeuzinho Vermelho na floresta.

O que teria acontecido?


Chapeuzinho Vermelho, de Charles Perrault

Era uma vez uma menininha que era amada por todos que a conheciam, mas acima de todos era muito amada por sua avó, e não havia nada que ela não teria dado a esta criança.

Certa vez, a avó lhe deu um capuz de veludo vermelho e a garotinha passou a usá-lo o tempo inteiro, por isso ficou conhecida como Chapeuzinho Vermelho.

Um dia, sua mãe disse:

— Pegue aqui, Chapeuzinho Vermelho, bolos e uma garrafa de vinho e leve-os para sua avó. Ela está fraca e doente, e isto fará com que se sinta melhor. Vá logo, antes que o sol esquente muito.

E a mãe prossegue:

— Quando estiver na floresta, não se desvie do caminho, seja uma boa menina e obedeça-me. Caso contrário, você pode cair e quebrar a garrafa e sua avó não terá nada para beber. E ao entrar na casa de sua avó, não se esqueça de dizer-lhe bom dia, antes de ficar perambulando pelos cantos.

— Eu vou fazer exatamente o que disse, mamãe.

A avó morava no meio da floresta, cerca de meia hora andando da vila.

Assim que Chapeuzinho Vermelho colocou o pé na floresta, um lobo se apresentou.

Ela não sabia o quão perverso a criatura era e não sentiu medo algum naquele momento.

— Bom dia, Chapeuzinho Vermelho! – saudou o lobo.

— Bom dia Senhor Lobo! – ela respondeu.

— Para onde está indo tão cedo, Chapeuzinho Vermelho?

— Para a casa de minha avó.

— O que você tem em seu avental?

— Bolos e vinho, nós os fizemos ontem. A vovó está doente e fraca, precisa de algo bom para fazê-la sentir-se melhor.

— Onde é a casa de sua avó, Chapeuzinho Vermelho?

— Há um quarto de hora mais adentro da floresta, sua casa está entre três grandes carvalhos. Você com certeza conhece a casa, fica cheia de nozes a sua volta.

O lobo pensou consigo mesmo: “Que criatura tenra! Seu gosto sem dúvida será melhor do que a velha. Devo agir astuciosamente para devorar as duas”.

Então, ele caminhou por um curto tempo ao lado dela e disse:

— Veja Chapeuzinho Vermelho, já notou as belas flores que estão ao seu redor? Pare para admirá-las por um momento. Sei que também não percebeu quão doce os passarinhos estão cantando. Você anda com a seriedade de quem faz o caminho da escola. Enquanto tudo é mais belo e alegre na floresta.

Chapeuzinho Vermelho levantou os olhos e quando viu os raios de sol bailando aqui e ali por entre as árvores e belas flores crescendo em todos os lugares, ela pensou: “Se eu levar um buquê de flores viçosas a vovó ficará encantada. É tão cedo ainda, que chegarei ainda cedo”.

Então ela saiu correndo de um lado para o outro procurando as flores mais bonitas.

E sempre que ela colhia uma, via a frente outra ainda mais bela e corria para juntá-la a seu buquê, e assim adentrava mais e mais à floresta.

Enquanto isso, o lobo correu à casa da avó e bateu na porta.

— Quem está aí? – perguntou a avó.

— Chapeuzinho Vermelho – respondeu. Trago bolos e vinho. Abra a porta vovó.

— Levante o trinco, querida – bradou a avó. Estou muito fraca e não posso levantar-me da cama.

O lobo levantou o trinco, a porta se abriu e, sem dizer uma palavra, foi direto para a cama da avó.

Devorou-a!

Então ele vestiu suas roupas, colocou o gorro para dormir, deitou-se na cama e fechou as cortinas.

Chapeuzinho Vermelho, no entanto, estava correndo procurando flores.

Ela colheu tantas que mais nenhuma caberia em seus braços.

Só então se lembrou de sua avó e partiu a caminho para a casa.

Ela ficou surpresa ao encontrar a porta aberta e quando entrou no quarto sentiu algo esquisito e disse para si mesma: “Oh meu Deus! Normalmente sinto-me muito bem na casa da vovó. Mas alguma coisa está estanha”.

Ela gritou:

— Bom dia! – mas não recebeu nenhuma resposta, portanto ela foi até o quarto e afastou as cortinas.

Ali estava sua avó com seu gorro de dormir cobrindo o rosto e olhando estranhamente.

— Oh, vovó – disse Chapeuzinho Vermelho –, que orelhas grandes você tem!

— Para melhor ouvi-la, minha querida – foi a resposta.

— Mas, vovó, que olhos grandes você tem!

— Para vê-la melhor, minha netinha.

— Mas, vovó, que mãos grandes você tem!

— Para melhor abraçá-la.

— Oh! Mas, vovó, que boca grande e assustadora você tem!

— Para comê-la melhor!

E, mal terminou as palavras, o Lobo em um salto estava fora da cama e engoliu abruptamente a pobre Chapeuzinho Vermelho.

Quando o lobo tinha apaziguado seu apetite, deitou-se novamente na cama, adormeceu e começou a roncar muito alto.

Um caçador estava passando por perto da casa e pensou consigo mesmo: “Como esta velha ronca alto! É melhor ver se há algo errado”.

Então ele entrou na casa e foi para o quarto, quando se aproximou da cama viu que o Lobo estava deitado nela.

— Enfim te encontrei velho pecador! – disse ele. — Eu tenho te procurado por muito tempo!

Em seguida, o caçador pegou a espingarda e prestes a atirar pensou: “Este lobo pode ter engolido a velha, talvez ainda possa salvá-la”.

Sendo assim, com um par de tesouras começou a cortar e abrir o estômago do lobo ainda dormindo.

Quando ele fez dois cortes viu um capuz vermelho brilhando, depois fez mais cortes e a menina saltou para fora chorando:

— Ah, como fiquei aterrorizada! Como estava escuro dentro do lobo.

Embora, mal conseguisse respirar, a avó frágil conseguiu sair da barriga do lobo.

No entanto Chapeuzinho Vermelho, rapidamente, buscou pedras grandes para encher o corpo do lobo.

E quando ele acordou, tentou fugir, mas as pedras eram tão pesadas que suas pernas não aguentaram e ele caiu morto.

Em seguida, os três ficaram orgulhosos.

O caçador retirou a pele do lobo e foi para casa com ele.

A avó comeu o bolo e bebeu o vinho que Chapeuzinho Vermelho havia trazido, e recuperou a saúde.

Mas a menina pensou consigo mesma: “Enquanto eu viver, nunca vou abandonar o caminho e correr pela floresta, vou fazer conforme as ordens da mamãe, como uma boa menina”.

Chapeuzinho Vermelho, de Charles Perrault (continuação)

Há outra história, em que uma vez Chapeuzinho Vermelho foi novamente levar bolos para a sua velha avó.

Outro lobo, mais velho que o primeiro, falou com ela e tentou seduzi-la para dentro da floresta.

Chapeuzinho Vermelho, no entanto, estava segura e foi direto pelo caminho correto.

Assim que chegou, contou a sua avó que havia encontrado um lobo e que ele tinha dito “bom dia” para ela, mas com um olhar tão perverso em seus olhos que se não estivessem a céu aberto a teria devorado ali mesmo.

— Bem – disse a avó –, nós vamos fechar a porta e ele não poderá entrar.

Logo depois, o lobo bateu e clamou:

— Abra a porta, vovó. Sou eu, Chapeuzinho Vermelho. Trouxe alguns bolos.

Mas elas ficaram em completo silêncio e não abriram a porta.

Então, o grisalho rondou duas ou três vezes a casa e, finalmente, saltou sobre o telhado, com a intenção de esperar até que Chapeuzinho Vermelho fosse para casa à noite para devorá-la na escuridão.

Mas a avó previu o que estava em seus pensamentos.

Na frente da casa havia um cocho de pedra grande, então, ela disse a neta:

— Pegue o balde, Chapeuzinho Vermelho. Eu fiz algumas salsichas ontem, jogue a água na calha.

Chapeuzinho Vermelho jogou a água na calha até encher.

Em seguida, o cheiro das salsichas alcançou as narinas do lobo e ele foi esticando o pescoço para olhar em volta de onde vinha o odor.

Olhou para baixo e estendeu tanto o pescoço que perdeu o equilíbrio e começou a deslizar, escorregando telhado abaixo, até que caiu no cocho grande e se afogou.

Então, Chapeuzinho Vermelho foi alegremente para casa e nunca mais fez mal a ninguém.