As sementes – Primeira tarefa de Psiquê

As sementes, a primeira tarefa de Psiquê.

Esta tarefa se associa com a vida atarefada da mulher.

Cada dia é como ter que separar uma montanha de sementes.

As sementes – Primeira tarefa de Psiquê

As sementes


Na primeira tarefa proposta por Afrodite ela mostra uma enorme montanha de sementes de tipos diferentes.

Afrodite diz à Psiquê que ela deverá separar e selecionar cada tipo de semente antes do anoitecer e se ela não conseguir executar a tarefa o seu castigo será a morte.

Afrodite se vai e Psiquê se vê desconsolada diante da montanha de sementes, então se senta e espera uma solução e acaba por adormecer.

Durante seu sono aparecem milhares de formigas que, grão por grão, separam cada semente de acordo com a sua espécie.

Psiquê ao acordar viu que a tarefa estava cumprida.

Afrodite, mesmo com relutância, ao voltar vê que a moça cumprira a tarefa e admite que o trabalho fora bem feito.


O mito completo você pode ver aqui: O mito de Eros e Psiquê

As sementes – Primeira tarefa de Psiquê

As sementes e a mulher


Aqui podemos perceber uma grande qualidade feminina que é a de pacientar-se e esperar uma solução e que podemos chamar de resignação.

A mulher é assim e talvez tenha aprendido isso com o processo da gestação em que tem de pacientemente aguardar durante todo o processo da gravidez até que, naturalmente, cheque o momento do nascimento.

Os homens já não possuem, naturalmente, esta característica, pois diante de um problema, conforme diz Robert A. Johnson, em sua obra: She: a chave do entendimento da psicologia feminina:

[…] empunha uma faca (espada, qualquer arma), monta seu cavalo (bicicleta, carro) e parte para conquistar aquilo que acha que deve.

A mulher, quando bem estruturada, espera que algo de seu interior lhe oriente e lhe dê coragem.

Um homem pode conseguir agir assim se permitir a manifestação de seu lado feminino.

A mulher de maneira alguma é passiva ao fazer isso, ela é sim, receptiva.

Sobre a montanha de sementes: imaginemos agora uma mulher diante da montanha de afazeres que tem em seu dia: as inúmeras tarefas do lar, muitas após um dia de serviço externo, o cuidar das crianças, o cuidar do marido, o isso, o aquilo…

Johnson cita o exemplo de que em qual lar nunca ecoou estas palavras: “Mãe, onde é que esta o outro par da meia?”.

Esta capacidade de lidar com montanhas de sementes faz parte da natureza feminina, característica que já não faz parte da natureza masculina que só consegue se concentrar em um ponto de cada vez.

A mulher tem a sua natureza-formiga altamente desenvolvida.

Porém, muitas vezes, a mulher é sobrecarregada de tarefas e nesta hora precisa saber diferenciar e selecionar criativamente.

Já esta diferenciação e seleção fazem parte da natureza masculina e a mulher pode conseguir agir assim permitindo a manifestação de seu aspecto masculino, seu animus.

Muitas vezes na vida é necessário que se estabeleça uma prioridade, uma organização, ou seja, discriminar, selecionar.

Esta função fria, seca e racional é uma característica masculina e o animus pode auxiliar o ego para agir desta forma.

A mulher moderna se rebela contra essa função de selecionar e quer tudo o tempo todo, mas esta função é muito importante para que ela se desenvolva.

Além de ser a manifestação de seu animus que lhe permitirá mediar seu consciente e seu inconsciente como também seu mundo interior e seu mundo exterior.

Outra função vital do animus da mulher é ser a chave da sua vida espiritual assim como a anima é para o homem.

O componente masculino na personalidade tanto masculina quanto feminina é que determina a relação com o mundo exterior, porém também é o componente feminino tanto nos homens como nas mulheres que lida com o mundo interior.

O feminino na mulher ou a anima no homem é quem faz a ponte do inconsciente para o consciente.

Por isso é que culturalmente o homem exerce mais o papel daquele que cuida e protege a família do mundo exterior enquanto que a mulher exerce o mesmo papel só que em relação ao mundo interior.

Um casal que consegue uma relação em que ambos se desenvolvem caminhará para que os dois consigam exercer bem os dois papéis.

Mas, infelizmente, o que acontece atualmente é que os dois fixaram os olhos no mundo exterior e o mundo interior ficou negligenciado e isto acarretou a vulnerabilidade da família.

A mulher que se dispor a exercer o papel que sua natureza lhe conferiu será de extrema importância para a família e para o próprio mundo.

A primeira tarefa de Psiquê fala do fortalecimento da qualidade feminina da resignação e do desenvolvimento da capacidade de discriminar e selecionar.

As sementes – Primeira tarefa de Psiquê

Paulo Rogério da Motta


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