Arquétipos não são ideias inatas

Arquétipos não são ideias inatas.

Isto é algo que causa confusão porque são designados como imagens primordiais.

Vale o esclarecimento!

Arquétipos não são ideias inatas

Arquétipos não são ideias inatas


Carl Gustav Jung usou o termo “arquétipos” para se referir aos modelos que servem de matriz para o desenvolvimento da psique.

São os componentes estruturais do inconsciente coletivo e recebem vários nomes:

  • Imagens primordiais
  • Imagos
  • Dominantes
  • Imagens mitológicas
  • Padrões de comportamento

Os arquétipos são designados como imagens primordiais porque foram originados através das impressões superpostas de vivências da raça humana em incontáveis vezes no transcorrer da sua evolução e história.

Arquétipos não são ideias inatas

São vivências, por exemplo, a experiências com a mãe ou os encontros do homem com a mulher.

Os arquétipos, ainda hoje, causam a impressão para muitos de serem imagens ou ideias inatas.

Nise da Silveira, em sua obra: Jung: vida e obra, fala sobre isso:

Muita confusão tem sido feita em torno do conceito de arquétipo.

Há ainda quem continue repetindo que Jung admite a existência de ideias inatas e de imagens inatas.

É falso.

Incansavelmente ele repete que arquétipos são possibilidades herdadas para representar imagens similares, são formas instintivas de imaginar.

São matrizes arcaicas onde configurações análogas ou semelhantes tomam forma.

Importante esta compreensão!

Arquétipo não é imagem nem ideia inata.

São padrões de comportamento e se expressam como tendências e não como fatores determinantes das ações humanas

Jung, em: A natureza da psique, diz:

O que sobretudo dificulta a compreensão é, muitas vezes, a opinião estúpida de que o arquétipo significa uma ideia inata. […].

Os arquétipos são formas típicas de comportamento que, ao se tornarem conscientes, assumem o aspecto de representações, como tudo o que se torna conteúdo da consciência. (§ 435).

Para Jung, portanto, são padrões de comportamento, isto é: ações, reações e experiências que caracterizam a espécie humana.

Citando novamente Jung, desta feita em: Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo:

O arquétipo é um elemento vazio e formal em si, nada mais sendo do que uma facultas praeformandi, uma possibilidade dada a priori da forma da sua representação. O que é herdado não são as ideias, mas as formas […]. (§ 155).

Acrescento que os arquétipos não podem ser vividos diretamente, eles somente podem ser experimentados através dos efeitos que causam através de sua presença e influência.

Por fim, importante reafirmar para que não se faça mais confusão: os arquétipos não são ideias inatas.

Arquétipos não são ideias inatas

Paulo Rogério da Motta